O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Ed Miliband, criticou duramente as ações do Governo de Israel em Gaza e na Cisjordânia e, apesar de reconhecer as “ameaças” de que Telavive é alvo, afirmou que tal “não pode justificar o sofrimento que o Governo de Netanyahu infligiu em Gaza e na Cisjordânia”.
“Este sofrimento é uma mancha na consciência do mundo. E eu quero dizer aos milhões de pessoas neste país e, de facto, noutros lugares, que foram movidas e indignadas com a situação do povo palestino. Nós ouvimos-vos. Tinham razão”, afirmou durante a conferência do Partido Trabalhista, em Liverpool.
Miliband condenou os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e demonstrou apoio à solução de dois Estados na região. Além disso, sublinhou que, sob o Governo de Andy Burnham, houve um “recomeço” na abordagem de Londres em relação à Palestina.
“Denunciámos a limpeza étnica pelos colonos terroristas na Cisjordânia. Denunciámos as provas de crimes de guerra em Gaza. Denunciámos a ocupação ilegal da Palestina pelos israelitas”, afirmou, referindo ainda as proibições ao comércio com colonatos israelitas na Cisjordânia decretadas por Londres.
Foreign Secretary Ed Miliband: 'I want to say to the millions of people in this country and indeed elsewhere, who have been moved and outraged by the plight of the Palestinian people. We hear you. You were right'https://t.co/jjI7yFVsAf
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— Sky News (@SkyNews) September 28, 2026
A 8 de setembro, o Reino Unido proibiu a importação de produtos provenientes de colonatos israelitas da Cisjordânia e acusou o Governo israelita de fazer uma limpeza étnica em algumas áreas da região, tendo mais 11 países, incluindo Portugal, aderido às sanções. Israel respondeu com o encerramento do consulado britânico em Jerusalém.
A Cisjordânia foi ocupada por Israel em 1967, na sequência da Guerra dos Seis Dias. Mais de meio milhão de israelitas vivem no território, sendo que os colonatos — onde vivem — são ilegais à luz do direito internacional, e um foco de violência na Cisjordânia, muitas vezes com o auxílio do exército israelita.
Os ataques por parte de colonos na Cisjordânia têm aumentado nos últimos meses. Desde o início do ano e até agosto, foram registados mais de 1.623 incidentes, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, e que resultaram em 2.616 deslocados, o maior número desde 2023.
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