O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse na terça-feira que o ataque contra a embaixada dos EUA foi obra de “terroristas” e designou duas pessoas que acusa de terem sido apoiadas por “aliados do Irão”.

O ataque de hoje [terça-feira] foi orquestrado por terroristas, Abu Mahdi al-Muhandis e Qais al-Khazali, e apoiado por aliados do Irão, Hadi al-Amari e Faleh al-Fayyad”, escreveu em mensagem no Twitter o chefe da diplomacia de Washington.

“Foram todos fotografados frente à nossa embaixada”, acrescentou, ao juntar três fotografias à sua mensagem.

Em paralelo, o Pentágono anunciou o envio de 750 soldados suplementares “para a região”. Previamente, um responsável norte-americano citado pela agência noticiosa AFP admitia o envio de 500 militares suplementares dos EUA para o Kuwait, vizinho do Iraque, “muito provavelmente” para serem de seguida enviados para este país, na sequência do ataque à embaixada norte-americana em Bagdad.

A prazo “poderão ser deslocados para a região até 4.000 soldados“, precisou o mesmo responsável sob anonimato, pouco após o Presidente, Donald Trump, ter proferido uma nova ameaça contra Teerão.

Donald Trump tinha ameaçado o Irão ao referir que vai pagar um “alto preço” após milhares de manifestantes terem assaltado um setor da embaixada nos EUA em Bagdad aos gritos de “Morte à América”.

O Irão será totalmente responsabilizado pelas vidas perdidas ou os estragos nas nossas instalações. Vão pagar caro [em maiúsculas]”, preveniu o Presidente dos EUA num ‘tweet’. “Não se trata de uma advertência, é uma ameaça”, acrescentou.

Por sua vez, a diplomacia iraniana denunciou a “surpreendente audácia dos responsáveis americanos”, que “atribuem à República islâmica do Irão as manifestações do povo iraquiano contra os seus atos cruéis”.

O agravamento das persistentes tensões entre Washington e Teerão reforçou os receios de uma escalada que degenere em confrontação militar direta entre os dois países inimigos.

De momento, o Iraque parece manietado pelos seus dois incómodos aliados e tornou-se no palco do seu braço de ferro.

Os Estados Unidos enviaram esta quarta-feira reforços para proteger a sua embaixada em Bagdad, atacada por milhares de iraquianos pró-Irão em protesto contra os recentes e mortíferos ataques norte-americanos.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, acusou de imediato o Irão de ter “orquestrado” um “ataque” pelo qual será “plenamente responsável”, fazendo recear uma nova escalada no país, onde decorre deste há três meses uma revolta popular inédita.

Trump diz que ataque a embaixada dos EUA em Bagdade foi orquestrado pelo Irão

Trump exortou o Iraque a “proteger a embaixada” após este ataque dos manifestantes, entretanto condenado pelo Presidente iraquiano, Barham Saleh, e quando o seu secretário de Estado, Mike Pompeo, advertiu Bagdad que “os Estados Unidos vão proteger e defender os seus cidadãos“.

Segundo um elemento da força de segurança citada pela agência noticiosa AFP, um helicóptero com elementos dos ‘Marines’ (corpo de fuzileiros norte-americanos) aterrou na capital iraquiana depois de o Pentágono ter anunciado o envio de “forças suplementares” para garantir a segurança da missão diplomática.

De acordo com um porta-voz da diplomacia norte-americana, não há a intenção de evacuar a embaixada.

Os manifestantes protestavam contra os ataques aéreos norte-americanos que mataram no domingo, na região ocidental do Iraque, 25 combatentes das brigadas do Hezbollah, um grupo armado xiita membro do Hachd al-Chaabi, coligação de paramilitares iraquianos dominada por fações pró-Irão.

Os Estados Unidos responderam com ataques aéreos à morte, na sexta-feira, de um subempreiteiro norte-americano, no 11.º atentado em dois meses contra instalações que acolhem militares americanos no Iraque, e que Washington atribuiu às brigadas do Hezbollah.

Combatentes e partidários do Hachd, que participavam no cortejo fúnebre dos 25 mortos, entraram esta quarta-feira na designada “Zona Verde” onde se encontra a embaixada dos Estados Unidos e as instituições iraquianas, sem que as forças de segurança de Bagdad os impedissem.

De seguida, invadiram a entrada onde a segurança da embaixada inspeciona os visitantes, queimaram as instalações da segurança no exterior, arrancaram as câmaras de videovigilância, apedrejaram as torres onde estavam os guardas e cobriram as janelas blindadas com bandeiras do Hachd e das brigadas do Hezbollah.

Do interior do edifício, as forças de segurança norte-americanas dispararam para o ar balas reais antes de lançarem gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

A coligação Hachd al-Chaabi alega que a investida causou 62 feridos.