Uma enfermeira ficou ferida depois de ter sido agredida esta madrugada enquanto estava a trabalhar no Hospital Santa Maria, em Lisboa.

Segundo um comunicado da Ordem dos Enfermeiros, quando começaram as agressões o polícia de serviço naquela zona estaria fora do posto enquanto lidava com uma outra ocorrência. Teve de ser um outro elemento das forças de segurança, que acompanhava um doente mental, a intervir. A profissional de saúde terá mesmo ficado impedida de continuar a trabalhar face aos ferimentos.

No seguimento dos incidentes, a Ordem dos Enfermeiros veio pedir “medidas concretas” e, em desacordo com as recentes medidas anunciadas pelos ministros da Administração Interna e Saúde, refere que “esta é mais uma situação que demonstra a necessidade de medidas concretas, que vão muito além da criação de um gabinete de segurança, designadamente ao nível da prevenção”.

No mesmo comunicado, a Ordem refere-se à reunião realizada na terça-feira entre a ministra da Saúde e o ministro da Administração Interna a propósito da violência contra os profissionais de saúde, mas não entende como “a ministra da Justiça é excluída da discussão” sobre esta situação.

“É criado um gabinete de segurança, esquecendo-se que já antes fora criado, pela DGS, um Observatório Nacional da Violência Contra os Profissionais de Saúde no Local de Trabalho. E o que mudou? Nada. A situação só piorou, como demonstram as estatísticas mais recentes”, refere ainda a OE.

O gabinete, que entra já em vigor, é “uma estrutura que encontra paralelo naquilo que já existe no Ministério da Educação para a saúde escolar e que terá uma função de apoio técnico ao Ministério da Saúde nesta área para que possamos ter uma abordagem mais sistemática dos problemas da violência contra os profissionais de saúde”, disse a ministra da Saúde, Marta Temido, no final de uma reunião com o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

O ministro da Administração Interna anunciou que o Ministério da Administração Interna (MAI) irá colocar um oficial das forças de segurança junto do gabinete da ministra da Saúde.

Segundo Eduardo Cabrita, o oficial de segurança irá coordenar a avaliação das “áreas de maior risco”, já identificadas, e irá proceder também “à avaliação das características físicas numa perspetiva de segurança de algumas instalações de saúde, fundamentalmente de hospitais e, se necessário, de centros de saúde para que sejas dadas as recomendações adequadas que permitam melhorar as condições de segurança dos profissionais e dos utentes do Serviço Nacional de Saúde”.

“Esta situação remete-nos para uma necessidade imperativa do reforço de segurança nos estabelecimentos de saúde, em particular nas Urgências, onde ocorrem a maioria dos episódios”, escreve a Ordem referindo que “nada aconteceu aos agressores” que continuaram no espaço e puderam ser assistidos, enquanto “a vítima foi impedida de prosseguir o seu trabalho devido às lesões sofridas, que são visíveis”.

“Isto não pode continuar a acontecer. É tempo de implementar medidas concretas a nível judicial. É tempo de alterações penais, tal como aconteceu quando o País decidiu enfrentar o fenómeno da violência doméstica. São necessárias medidas imediatas e visíveis”, defende a OE. A Ordem dos Enfermeiros adianta que não deixará de recorrer a todas as instâncias necessárias para travar esta situação e conseguir a implementação de medidas concretas.

O caso foi entregue às autoridades policiais.