Elemento habitualmente presente nas cozinhas de todo o mundo, dieta mediterrânica incluída, a carne de borrego é uma excelente fonte de nutrientes, sendo especialmente «rica em ferro, vitaminas, minerais e proteínas de alta qualidade, assumindo-se como um componente fundamental de uma dieta saudável», garante Ana Pinto, nutricionista, mentora da plataforma digital NutriAging. Essas características tornam esta carne como «um elemento obrigatório em todas as etapas do crescimento e desenvolvimento do ser humano», assegura a especialista.

Alto valor nutricional

À semelhança de outras carnes, «o borrego é uma fonte de alta qualidade de proteína magra e aminoácidos essenciais, elementos necessários para o crescimento e manutenção do corpo, e fatores fundamentais para o crescimento de músculos, órgãos e tecidos em geral», informa Ana Pinto. No que toca à gordura, a carne de borrego «apresenta uma quantidade variável, e que está diretamente relacionado com a dieta, idade, sexo e alimentação do animal», refere a nutricionista. A sua composição inclui «gorduras saturadas e monoinsaturadas, possuindo níveis ligeiramente mais elevados de gordura saturada. No entanto, a carne do borrego contém gorduras trans, que, ao contrário das encontradas em alimentos processados, são consideradas benéficas para a saúde», explica Ana Pinto. Esta carne é também rica em vitaminas e minerais, tendo ainda um grande poder antioxidante. Contudo, é sempre fundamental apostar em carne de qualidade, como a certificada com o selo Quality Standard Mark e disponibilizada pelo Agriculture and Horticulture Development Board.

Pastos com qualidade, carne mais nutritiva

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A carne de borrego não é toda igual, logo nem todo este tipo de carne tem a devida qualidade. Para isso, muito contribui a alimentação destes animais. É por isso que a carne de borrego com selo Quality Standard Mark, e disponibilizada pelo Agriculture and Horticulture Development Board, advém apenas de borregos criados ao ar livre, no Reino Unido, onde as pastagens, devido ao clima húmido e frio, têm por base a ryegrass (Lolium Perenne), que se parece com o trigo verde. É também nas pastagens inglesas que existe uma quantidade apreciável de trevo branco/vermelho, altamente nutritivo para os animais, e que permite fixar a proteína. Desta forma, evita-se o recurso a fertilizantes sintéticos, muito usado para este efeito. Como consequência, a carne certificada com este selo tem a garantia de ser uma carne mais rica nutricionalmente e mais saudável.

Em prol da saúde, é importante apostar em carne de qualidade, como a certificada com o selo Quality Standard Mark e disponibilizada pelo Agriculture and Horticulture Development Board.

Um aliado da saúde durante toda a vida

A riqueza dos seus nutrientes, torna o consumo de carne de borrego como fundamental durante todas as etapas da vida, pois, garante Ana Pinto, «respeita as necessidades fisiológicas e psicossociais específicas de cada fase do desenvolvimento humano»:

— Período Pré-Natal

Ilustração: Teresa Dias Costa

«A alimentação da mãe afeta diretamente o crescimento e saúde do bebé», sublinha Ana Pinto. «É comum pensar que a vida começa com o nascimento, no entanto, os nove meses que o antecedem são responsáveis por um complexo desenvolvimento intrauterino», explica. Nesse sentido, a «carne de borrego é fonte de ferro, sendo que o seu consumo ajuda a evitar quadros de anemia, facilita o transporte de oxigénio para os tecidos, sendo o armazenamento desse mineral importante para os primeiros meses de vida. Por outro lado, sendo fonte de vitaminas do complexo B, proteína de alto valor biológico e aminoácidos essências para o desenvolvimento físico, cerebral e de todos os órgãos, é essencial ao crescimento. Já o zinco, tem um papel importantíssimo no processo de diferenciação celular».

— 1.ª Infância – Dos 0 aos 3anos

Ilustração: Teresa Dias Costa

Nesta fase, «o leite materno é fundamental para a saúde das crianças, principalmente nos seis primeiros meses, pois é um alimento completo e o único que garante qualidade e quantidade ideal de nutrientes para o bebé. Daí ser determinante que a mãe se alimente de forma saudável, sendo por isso importante a ingestão de carne de borrego para garantir o devido aporte nutricional», alerta Ana Pinto. Também para o bebé, esta carne é essencial, «podendo ser introduzida a partir dos 6 meses, pois a sua ingestão fornece proteínas de alto valor biológico e minerais, como ferro e zinco. Por outro lado, pela sua característica tenra, é uma das primeiras carnes a ser dada ao bebé», explica a especialista.

— 2.ª Infância – Dos 3 aos 6 anos

Ilustração: Teresa Dias Costa

«É um período crucial para a definição do futuro alimentar e também para o crescimento das crianças. Nesse sentido, a ingestão de carne vermelha saudável como a de borrego, sendo rica em proteínas, apresenta substâncias essenciais que agem diretamente no crescimento e na reparação dos músculos, ossos e pele, além de ser uma boa de fonte de energia», afirma Ana Pinto. Além disso, a «carne de borrego é especialmente rica em niacina (vitamina B3), que participa nos processos relacionados com material genético, permitindo o crescimento e o desenvolvimento saudável. O fósforo presente também é um mineral importante para a saúde dos ossos e dentes, contribuindo para o bom funcionamento do sistema imunológico».

— 3.ª Infância – Dos 6 aos 11 anos

Ilustração: Teresa Dias Costa

«Aparentemente, dá-se uma diminuição do crescimento físico, mas é uma das fases mais importante em termos do reforço da saúde. Assim, aconselha-se o consumo de carne de borrego que, sendo rica em proteínas, age diretamente no crescimento e na reparação dos músculos, ossos e pele, além de ser uma boa de fonte de energia», afirma Ana Pinto. «O ferro e o zinco também são fontes fundamentais para evitar anemias, tendo ainda ação preponderante no crescimento e funcionamento do sistema imunitário. Já o fósforo é importante para a saúde de ossos e dentes, e contribui também para reforço das defesas do organismo. Por sua vez, as vitaminas do complexo B existentes na carne de borrego, como a vitamina B12, estimulam a memória. Além disso, são também fundamentais na síntese de várias substâncias, estando a sua ação intimamente relacionada à memória de curto prazo e à velocidade do pensamento».

— Adolescência – Dos 11 aos 20 anos  

Ilustração: Teresa Dias Costa

«É, por excelência, uma das fases de crescimento mais exigentes em termos energéticos e nutricionais, pois caracteriza-se por um desenvolvimento físico acelerado, acompanhado da maturidade reprodutiva e mental», contextualiza a especialista. É importante incutir-lhes a «necessidade de reforçar o aporte de vitaminas A, E e B6, ácido fólico, cálcio, ferro e zinco. E uma das melhores formas de o fazer é incluir a carne de borrego na dieta. O ferro é mesmo um elemento essencial, pois assegura o bom crescimento de músculos, ossos e pele, assim como a produção e transporte de oxigénio no sangue, produção de energia, reforçando ainda o sistema imunitário no seu todo. Nas meninas em particular, este mineral evita riscos de instabilidade devido às perdas de sangue durante a menstruação. Por outro lado, o fósforo é também importante para a saúde dos ossos e dentes, e contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico, assim como a taurina, creatina, glutationa, CLA, magnésio, potássio, zinco e vitaminas do complexo B.»

— Vida Adulta – Dos 20 aos 64 anos

Ilustração: Teresa Dias Costa

«Ao longo da fase adulta, podem registar-se mudanças significativas nas condições físicas, tanto para homens como mulheres, sendo a alimentação um pilar fundamental para a manutenção da saúde e do peso corporal, evitando o surgimento de doenças como diabetes e hipertensão, além de carências nutricionais», indica Ana Pinto. «No caso das mulheres, a vida adulta pode ser sinónimo de mudança de humor, irritabilidade, depressão, cansaço, cefaleia e diminuição dos níveis de serotonina, elevando a probabilidade de depressão. Já os homens ficam mais suscetíveis a doenças cardiovasculares, hipertensão, obesidade e diabetes, face a maiores indicies de stresse, uma alimentação inadequada e sedentarismo», contextualiza a especialista. «Para salvaguardar esses quadros, é essencial seguir uma dieta saudável, tendo a carne de borrego um papel importantíssimo, pois possibilita um excelente aporte de vitamina B12, uma vez que esta é essencial para controlar os níveis de homocisteína, uma molécula que pode danificar as paredes dos vasos sanguíneos e cujos elevados níveis no sangue estão associados com um maior risco de doença cardiovascular. O zinco é também um mineral importante para a função do sistema imunitário e reprodutivo, e participa no metabolismo de inúmeros componentes no organismo. Outros aliados da saúde do sistema imunitário são o magnésio, potássio, triptofano e a glutationa, pois têm uma poderosa ação antioxidante, protegendo as células contra radicais livres, doenças respiratórias e psiquiátricas.»

— Vida Adulta Tardia – A partir dos 65 

Ilustração: Teresa Dias Costa

«Neste período, a saúde é um reflexo dos hábitos anteriores, sendo natural um declínio tanto a esse nível mental como das capacidades físicas. O tempo de reação é mais lento, o que afeta alguns aspetos funcionais. Muitas pessoas apresentam uma memória mais fragilizada e os hábitos alimentares mudam com o avanço da idade devido às diferentes necessidades de energia e nutrientes», explica a nutricionista. «Paralelamente, os idosos costumam apresentar falta de apetite e baixo consumo de alimentos, dificuldades de mastigação, deglutição, digestão e perda muscular, devido ao sedentarismo e à falta de ingestão de proteína. Perante esse cenário, mais uma vez, a ingestão de carne de borrego pode ajudar, pois, sendo rica em proteína e nutrientes como potássio, magnésio, ferro, zinco, triptofano, glutationa, previne e diminui a probabilidade de diagnósticos de anemia, doenças mentais, depressões, redução do fluxo sanguíneo, decréscimo de massa muscular, diminuição de ferro e do transporte de oxigénio no organismo, menor produção de energia e fragilidades do sistema imunitário», enumera Ana Pinto.