Quando Rafael Leão deixou o Sporting, dentro do grupo de jogadores que acabaram por rescindir unilateralmente com o clube no seguimento das agressões em Alcochete, seguiu para os franceses do Lille. Ficou apenas uma temporada, contribuindo para o segundo lugar que tornou o Lille o melhor de todos os outros depois do PSG, e atraiu a atenção de um AC Milan que procurava um companheiro para o polaco Piatek na frente de ataque. Em pouco mais de um ano, Rafael Leão passava de ser ainda apenas uma aposta no Sporting para ser uma das contratações de verão de um histórico clube europeu: mas, ainda assim, estava longe de imaginar aquilo que acabaria por acontecer nos primeiros dias de 2020.

Quando Zlatan Ibrahimovic jogou pela primeira vez no AC Milan, entre 2010 e 2012, Rafael Leão tinha pouco mais de dez anos. O regresso do avançado sueco a San Siro, com 38 anos e para ajudar o clube por onde passou onde foi mais acarinhado, significa também a chegada de um mentor para Rafael Leão — e o próprio jogador português assumiu isso mesmo esta semana, na antevisão da visita ao Cagliari. “Desde que chegou, tem falado comigo, dando-me conselhos sobre como melhorar e sobre como me posicionar na grande área. Ele é um grande jogador e quero aprender o máximo possível com ele ao lado. É como um irmão mais velho”, confessou o avançado de 20 anos.

Este sábado, depois de Ibrahimovic se ter estreado no regresso a Milão na condição de suplente utilizado e com um empate insonso com a Sampdoria, irmão mais velho e irmão mais novo eram titulares lado a lado na equipa de Stefano Pioli. Rafael Leão abriu o marcador já na segunda parte (46′), com uma assistência de Castillejo, e Ibrahimovic aumentou a vantagem do AC Milan e estreou-se a marcar nesta segunda aventura no clube italiano com um remate de pé esquerdo (64′). O sueco ainda voltou a bater o guarda-redes Olsen, de cabeça, mas o lance foi anulado por fora de jogo (82′): o dado estatístico de ter agora marcado em quatro décadas diferentes, esse, já estava garantido.

Irmão mais velho e irmão mais novo, com 18 anos de diferença, valeram uma importante vitória a um AC Milan que ainda tem o objetivo de chegar aos lugares que dão acesso às competições europeias da próxima temporada. E mais do que isso, numa altura em que se fala da saída de Piatek — provavelmente para o Tottenham de Mourinho –, Stefano Pioli fica a saber que tem dupla de ataque para o resto da época. O AC Milan somou apenas a sétima vitória da temporada para a Serie A mas chegou ao segundo jogo consecutivo sem sofrer golos, algo que tem sido o principal cálice da equipa de Milão.