Herdeiro de uma linhagem que começou com o Série 6 Gran Coupé e que teve no Série 4 Gran Coupé o modelo mais bem sucedido de uma família que já vendeu 400 mil unidades, o novo Série 2 Gran Coupé pretende ser uma alternativa mais familiar, mas igualmente dinâmica, ao Série 1 ou servir de porta de entrada às berlinas da BMW, para quem não quer ou não pode ter um Série 3.

É este o posicionamento que, na prática, o novo Série 2 Gran Coupé ocupa no seio da gama BMW, já que é cerca de 4000€ mais caro do que as versões equivalentes do Série 1 e 3000€ mais acessível do que um congénere da Série 3. Mas limitar o leque de potenciais clientes deste Série 2 Gran Coupé ao intervalo referido é, no mínimo, redutor.

Sim, é verdade que o Série 2 Gran Coupé partilha a maioria dos órgãos mecânicos com os Série 1 e restantes membros da família Série 2 (e com o Mini Countryman, por exemplo, que recorre à mesma plataforma), mas com 4,52 metros de comprimento e 430 litros de mala, este pequeno familiar “coupé” de linhas dinâmicas e atraentes tem um público alvo bem definido. Para a BMW, o Série 2 Gran Coupé deverá apelar maioritariamente a homens, na faixa etária entre os 30 e os 40 anos, e a famílias jovens que valorizem a versatilidade de utilização, mas que não se revêem numa berlina tradicional.

Este formato Gran Coupé, segundo o responsável de comunicação do Série 2, Florian Moser, “vem complementar na perfeição a oferta da gama que já conta com um coupé, um cabrio e dois monovolumes, o Active Tourer e o Gran Tourer”.

Que versões vamos ter e quando?

Em Portugal, o Série 2 Gran Coupé chega em Março e estará disponível nas variantes 220d (47.000€), equipado com o conhecido quatro cilindros 2.0 diesel de 190 cv; 218i (36.500€) com o três cilindros 1.5, a gasolina com 140 cv e, no topo da oferta, por 61.000€, o M235i xDrive, o mais potente 2.0 a gasolina da casa bávara com uns impressionantes 306 cv e pico de binário (no modo Launch Control) de 450 Nm de binário. Em Abril chega o ponta de lança da gama, equipado com o 1.5 Diesel de três cilindros, capaz de 116 cv e que terá um preço de entrada de 39.000€.

Um dado curioso é que todos os Série 2 Gran Coupé vendidos em Portugal estarão equipados com transmissões “automáticas”. Na verdade, só os quatro cilindros recorrem a uma caixa automática na verdadeira acepção da palavra (a ZF de oito velocidades), já que as variantes de três cilindros são equipadas com uma caixa de dupla embraiagem e sete relações.

Como todos os automóveis do grupo que partilham esta plataforma, a tracção é dianteira ou, no caso do mais potente M235i, passa a ser integral.

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Ao volante, começámos pelo mais desportivo

E foi exactamente com o mais desportivo dos Série 2 Gran Coupé que começámos o ensaio em estrada, num percurso que nos levou por um misto de auto-estrada e estradas encadeadas. As linhas elegantes do Série 2 Gran Coupé são vincadas nesta versão M Performance por um conjunto de elementos diferenciadores que lhe acentuam a veia desportiva, mas, mais importante, é o que se esconde à vista desarmada. O quatro cilindros com um turbo de dupla entrada é um portento de força. Com 306 cv de potência entre as 5000 e as 6250 rpm e 450 Nm de binário disponíveis entre as 1750 e as 4500 rpm, o M235i xDrive acelera de 0 a 100 km/h nuns anunciados 4,9 segundos (4,8 com o Pack M Performance).

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Em auto-estrada, estes números traduzem-se na enorme facilidade em atingir os limitados eletronicamente 250 km/h de velocidade máxima, mas é numa serpenteante estrada secundária que os 306 cv dão melhor conta de si. A tracção integral (repartição 50:50) e a presença de um autoblocante mecânico (Torsen) nas rodas dianteiras, tornam o M235i xDrive invulgarmente eficaz e com uns limites de aderência impressionantes. A unidade ensaiada estava equipada com a direcção M Sport (mais directa) e a suspensão controlada electronicamente, esta última um opcional “obrigatório” para quem quer tirar pleno partido das potencialidades do M235i e, ainda assim, conciliar com o acréscimo de conforto numa utilização diária.

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A passagem para o Gran Coupé 220d poderia resultar numa “desilusão”, mas, mesmo não tendo as prestações estonteantes do seu irmão mais potente, os 190 cv do quatro cilindros turbodiesel, devidamente explorados pela ZF de oito velocidades, garantem números dignos de registo e uma enorme reserva de potência em quase todas as solicitações. Já para não falar que os consumos são bastante mais sedutores.

Igualmente sedutores são o conforto de rolamento e, acima de tudo, a excelente insonorização e a total ausência de vibrações, tornando este familiar/coupé especialmente convidativo em viagem.

Só não espere é milagres, com um perfil mais desportivo e a mesma distância entre eixos dos seus irmãos de gama, o Série 2 Gran Coupé não é dos mais acolhedores para os passageiros do banco traseiro, especialmente se estes tiverem mais de 1,75 metros de altura.