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O grupo espanhol Inditex fechou a partir desta quarta-feira todas as lojas em Portugal, segundo apurou o Observador. A decisão envolve cerca de 350 espaços, entre lojas de rua e pontos de venda em centros comerciais, e abarca todas as marcas do grupo — Zara, Massimo Dutti, Stradivarius, Bershka, Pull & Bear, Oysho, Zara Home, Uterqüe e Lefties.

A medida foi tomada na sequência da evolução do surto de Covid-19 em solo português, depois de já em Espanha a empresa ter tomado a mesma decisão. O encerramento é por tempo indeterminado. As lojas online continuarão a funcionar normalmente.

Segundo o El Pais, o grupo de Amancio Ortega tomou ainda esta quarta-feira as primeiras medidas de ordem financeira desde o início da crise gerada pelo novo coronavírus. Depois de uma subida de 6% nos lucros em 2019, a empresa decidiu colocar 287 milhões de euros em reservas de dinheiro ou valores, valor correspondente ao “possível impacto da pandemia Covid-19 no valor líquido do inventário feito à coleção primavera/verão a 31 de janeiro de 2020”. Segundo o mesmo jornal, a atual crise já fez a empresa perder um terço do seu valor de mercado no últimos mês.

As perdas do grupo têm progredido com a chegada do novo coronavírus à Europa. Entre dia 1 de fevereiro e dia 16 de março, as vendas caíram 5%, mas com a tendência a agravar-se na primeira quinzena deste mês, com as vendas a caírem 24%. Segundo o El Pais, atualmente o grupo tem 3.785 lojas fechadas em 39 mercados.

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Em Portugal, o grupo Inditex está longe de ser o primeiro gigante do retalho a decretar o encerramento das lojas por tempos indeterminado. Na última terça-feira, a mesma decisão foi anunciada por parte da H&M e também da Ikea, ambas empresas suecas. A primeira detém cerca de 30 lojas em solo português (e ainda a da COS, uma marca do mesmo grupo), a segunda optou por fechar as cinco lojas e os dois estúdios de planificação que tem em Portugal. As duas cadeias mantêm as operações online. O encerramento das lojas foi ainda anunciado pela Primark, esta quarta-feira.

Também o grupo espanhol Tendam anunciou esta quarta-feira o encerramento temporário da sua rede de lojas em Portugal. O grupo inclui as marcas Springfield, Cortefiel e Women’secret, entre outras. Ainda no passado domingo, foi a vez da portuguesa Parfois anunciar o encerramento de todas as lojas de rua. Depois dela, já marcas internacionais como a Kiabi, a Lacoste, a Hôma (antiga DeBorla) e a Barbour optaram por encerrar todas as lojas em Portugal.

A Fashion Clinic, loja multimarca da Amorim Luxury, também fechou portas na semana passada e com ela a loja da Gucci na Avenida da Liberdade, em Lisboa. A empresa adiou também a inauguração da Dolce & Gabbana na mesma artéria da cidade.

Também no setor da restauração estão a ser tomadas medidas de peso: na última terça-feira, a Plateform, um dos maiores grupos nacionais do ramo, anunciou o encerramento de 150 restaurantes.

No decorrer da tarde desta quarta-feira, outras lojas anunciaram o fecho de portas. É o caso do Grupo Calzedonia, responsável pelas marcas Calzedonia, Intimissimi e Tezenis, entre outras, com um total de 196 lojas em Portugal, e da Benetton. Ambas declararam encerramento temporário por tempo indefinido. Também a Fnac veiculou a decisão. Sete pontos de venda — Colombo, Almada Fórum, CascaiShopping, Norteshopping, GaiaShopping, Fórum Coimbra e Fórum Algarve — permanecem abertos para dar resposta a situações excecionais, entre as 11h e as 20h.

Artigo atualizado dia 19 de março, às 00h30.