Desde que o mundo percebeu que Bill Gates é uma espécie de suprassumo no que toca a pandemias, as palavras do bilionário norte-americano sobre o surto de Covid-19 são pepitas de ouro de conhecimento. Na última quarta-feira, durante uma sessão de perguntas e respostas na rede social Reddit, questionado sobre quanto tempo seria necessário os países ficarem em quarentena para conseguirem conter o surto, o fundador da Microsoft respondeu objetivamente.

“Vai variar bastante consoante o país”, escreveu via chat. “A China está a registar poucos casos agora porque a vaga de testes e a quarentena foi muito eficaz. Se um país fizer um bom trabalho a testar e a isolar, então, dentro de 6 a 10 semanas poderá começar a ter poucos casos e a ser capaz de voltar a abrir-se”, afirmou Bill Gates.

© Twitter.com/BillGates

Gates classificou o novo coronavírus como uma “patologia como só há uma num século”. O bilionário não ficou por aí, e admitiu mesmo que uma das suas principais preocupações é a segunda vaga de infeções, que poderá chegar depois do período de isolamento rígido, quando as pessoas estiverem a retomar a vida normal.

Mas face ao atual surto e ao impacto nas economias, o segundo homem mais rico do mundo tem outros receios. Se o período referido lhe parece suficiente para controlar a curva de propagação do vírus nos países desenvolvidos, nos países em desenvolvimento, o fenómeno poderá vir mais tarde e ser ainda mais nefasto. “Preocupam-me os danos nas economias destes países, mas vai ser ainda pior quando o vírus afetar os países em desenvolvimento, que não conseguem cumprir o distanciamento social da mesma forma que os países ricos e cuja capacidade de prestar cuidados médicos é muito inferior”, referiu durante a entrevista à distância.

A Fundação Bill & Melinda Gates já investiu cerca de 90 milhões de euros no combate ao novo coronavírus. A colaboração parece ser uma das valiosas dicas do bilionário, com governos a trabalharem juntos na resolução e no rescaldo da pandemia. Empenhado na busca do tratamento — foi nesse sentido que doou uma insignificante migalha da sua fortuna –, Gates acredita que antes da vacina, virá um medicamento eficaz, com capacidade para aliviar os equipamentos de saúde, já tão escassos nos países mais afetados.