O bloqueio nacional em que Itália se encontra há quase duas semanas levou à paragem da produção de centenas de empresas e ao esvaziamento quase completo das estradas de todo o país, o que conduziu a uma temporária, mas significativa, redução das emissões poluentes naquele país — e deu origem a imagens inéditas, como as dos canais de Veneza com água límpida e peixes.

De acordo com um comunicado da Agência Espacial Europeia, imagens de satélite capturadas recentemente mostram que, desde o início do período de isolamento obrigatório decretado pelo Governo italiano, e em especial no norte de Itália (a região mais afetada pelo surto e, consequentemente, pelos bloqueios), as emissões de dióxido de azoto estão muito abaixo dos níveis habituais.

Comparação entre as emissões registadas em fevereiro (esquerda) e em março (direita). Fonte: Agência Espacial Europeia/União Europeia

“O declínio das emissões de dióxido de azoto na zona do Vale do Pó, no norte de Itália, é particularmente evidente”, explica Claus Zehner, líder da missão Copernicus Sentinel-5P, projeto da União Europeia responsável pela monitorização de emissões poluentes através de imagens de satélite em todo o mundo. “Estamos convencidos de que a redução de emissões que podemos ver coincide com o bloqueio em Itália, que está a reduzir o trânsito e as atividades industriais.”

Dias depois de ter declarado que todo o território nacional passava a ser considerado “zona vermelha” no que toca às medidas de contenção da pandemia, o Governo italiano anunciou que todo o comércio do país deveria fechar, à exceção de farmácias, mercearias e outros serviços essenciais.

Ao mesmo tempo, o esvaziamento das cidades está a ter um forte impacto na própria paisagem ambiental italiana. Um dos casos mais impressionantes é o de Veneza, cujos canais, habitualmente sujos devido ao elevado tráfego fluvial e aos depósitos de sedimentos, voltaram a surgir com água límpida e com peixes a nadar no interior.

Imagens divulgadas nas redes sociais e também pela imprensa italiana mostram os canais daquela cidade do norte de Itália, agora praticamente vazia de turistas, com água cristalina e animais.

Itália é neste momento o centro da pandemia a nível global. É o país onde morreram mais pessoas, registando até agora 3.405 mortes, e o segundo, apenas depois da China, com mais casos de infeção (80.967). Para enfrentar a pandemia, que está a levar ao colapso do sistema de saúde italiano, o Governo daquele país tomou medidas drásticas, incluindo o isolamento obrigatório de toda a população em casa.