Foi um dos primeiros destaques quando as notícias do surto em Wuhan chegaram à Europa. As cidades chinesas, normalmente muito afetadas pela poluição atmosférica e sonora, estavam agora mais límpidas, com o ar menos obstruído e mais respirável. O motivo era fácil de explicar: com as fábricas encerradas, com menos carros a circular, com as pessoas em casa, a poluição diminuiu de forma clara.

Atualmente, com a mudança do epicentro da pandemia da China para a Europa, também o continente europeu atravessa a mesma fase de diminuição da poluição. Numa reportagem publicada esta quarta-feira, o ABC mostra um mapa desenvolvido a partir de um estudo da Universidade Politécnica de Valencia onde é possível observar, através de dados de satélite, a queda da poluição na Península Ibérica no espaço de apenas dez dias.

Ainda que se mantenham focos claros de poluição em Lisboa e no Porto, no caso de Portugal, e em Madrid e Barcelona, no caso de Espanha, os níveis de CO2 presente no ar e a qualidade do oxigénio são notoriamente inferiores. Segundo o ABC, que apresenta apenas os dados espanhóis, os movimentos de acesso às grandes cidades caíram em 64% e as viagens de longo curso diminuíram em quase 62%, o que motivou uma quebra de poluição, em termos gerais, de cerca de 83%.

“Tal como se comprovou no caso de Wuhan, na China, ou no norte de Itália, o nosso estudo constata como as medidas de confinamento e redução da atividade económica se traduziram numa clara diminuição da contaminação atmosférica”, explicou Elena Sánchez-García ao jornal espanhol, investigadora do Centro de Tecnologias Físicas da Universidade Politécnica de Valencia.

Já na quarta-feira a Agência Europeia do Ambiente (AEA) confirmou “grandes reduções” nas concentrações de poluentes atmosféricos na Europa, devido às medidas de contenção da Covid-19, e diz que em alguns locais a redução foi para metade.