Crescem os adeptos dos ‘eurobonds’ (ou ‘coronabonds’, já que o nome pouco importa) como resposta à crise provocada pelo surto de Covid-19. Depois de nove líderes europeus (onde se incluem António Costa, Emmanuel Macron ou Pedro Sánchez) terem defendido esta solução numa carta ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, agora foi a vez do presidente do Parlamento,  o socialista e italiano, David Sassoli, defender a emissão de dívida comum a nível europeu, considerando ser esta a “escolha certa”.

A declaração de Sassoli tem particular relevância porque a fez numa conferência de imprensa minutos depois de participar no Conselho Europeu. Para Sassoli “momentos extraordinários, como os que vivemos, exigem respostas extraordinárias“.

O presidente do Parlamento Europeu disse concordar com o antigo governador do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que disse na quarta-feira que a Europa tem de agir e que o  “custo da hesitação pode ser irreversível”. E mais, que “a velocidade é absolutamente essencial para a eficácia”.

Sobre os eurobonds, David Sassoli disse que “não importa qual nome ou o tipo de instrumento — seja os ‘coronabonds’ ou outro semelhante –, mas precisamos de criar um mecanismo para a mutualização da dívida a nível europeu, essa é a escolha certa a fazer”.

Na mesma conferência de imprensa, o presidente do Parlamento lembrou o que já tinha dito em plenário de manhã: que a “a democracia não fica suspensa com o vírus” e que até é importante haver uma “resposta democrática a esta crise”. Sassoli destaca que “não basta utilizar instrumentos que já existem”, são precisos novos instrumentos e que foi isso que disse aos chefes de governo (na intervenção no Conselho Europeu).

O presidente do Parlamento Europeu quer uma resposta europeia e afirma: “Que ninguém esteja sozinho na resposta, mas que todos assumam as suas responsabilidades (…) É preciso liderança europeia”. Sobre o facto de muitas vezes o apoio aos países vir de fora da UE (de Cuba ou da China), Sassoli lembrou que “a UE tem estado na linha da frente quando outros tiveram dificuldades. Deu ainda a garantia que a comissão (com quem o Parlamento mantém contacto) está a fazer tudo para que os jovens que foram apanhados por esta situação enquanto estavam no programa Erasmus possam “regressar a casa de forma segura”.