O Relatório da Direção Geral da Saúde sobre a situação epidemiológica em Portugal desta terça-feira, dia 31, trouxe o maior aumento bruto de casos de sempre desde que a pandemia chegou ao nosso país, num total de 1.035 apenas num dia. Assim, Portugal passa a ter 7.443 infetados, mais 16% do que na véspera. Já o número de mortes subiu de 140 para 160, com especial incidência no Norte e no Centro (15) e uma taxa de mortalidade atualizada de 2,15%. O número de casos recuperados continua a manter o registo dos últimos dias, 43. Ainda assim, há outros dados a registar e que se enquadram com esta nova fase de combate à pandemia.

Boletim DGS. Número de casos com menor crescimento, Porto mais do que duplica casos (mas há razões para isso)

Por um lado, registo para o aumento substancial de número de contactos em vigilância com as autoridades de saúde, que passaram de 11.482 para 19.260, uma subida de 68% num só dia (quando o número de casos suspeitos e casos não confirmados mantém a subida de 20%). Por outro, nota para o número de casos importados, que não só ultrapassa a barreira dos 500 como tem agora um novo país, a Suécia. Por fim, e num dado positivo em comparação com os valores de ontem, o número de novos casos acima dos 70 anos desceu de 30% para 20%.

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O que tem mesmo de saber sobre o coronavírus em Portugal

A análise do Relatório da Direção Geral da Saúde sobre a situação epidemiológica em Portugal desta terça-feira, dia 31, pode ser feita através de vários pontos distintos, a saber:

Número total de casos, mortes e recuperados

Maior aumento bruto de casos num dia, taxa de mortalidade é de 2,15%. O Relatório da Direção Geral da Saúde sobre a situação epidemiológica em Portugal desta terça-feira, dia 31, trouxe um aumento bruto recorde de mais 1.035 casos (subida de 16%, mais do dobro do que na véspera em termos percentuais), num total de 7.443 casos positivos em Portugal. De recordar que o anterior acréscimo máximo tinha sido registado no último sábado, com mais 902 casos (menos 133 do que agora). Já o número de mortes no país aumentou para 160, mais 20 do que na véspera (subida de 14%, numa taxa de mortalidade de 2,15%). O número de casos recuperados continua a ser de 43, valor que se mantém pelo sexto dia consecutivo depois da passagem de 22 para 43.

Caracterização dos óbitos

19 das 20 mortes acima dos 70 anos. Portugal registou mais 20 mortes nas últimas 24 horas, de acordo com o Boletim da DGS, com a incidência maior a fixar-se ainda mais nas pessoas acima dos 80 anos, com 12 casos. Mantém-se um outro dado, neste caso mais evidente: 19 dos 20 óbitos no país nas últimas 24 horas registaram-se em pessoas acima dos 70 anos. De acrescentar que continua a não existir referência ao jovem de 14 anos de Ovar que faleceu este domingo em Santa Maria da Feira, existindo assim apenas os casos de duas mulheres abaixo dos 50 anos entre as vítimas com menor idade. A nível de regiões, o Norte voltou a ser a região com mais mortes, nove, num total de 83, seguido do Centro (40, mais seis), Lisboa (35, mais cinco) e Algarve (mantém as duas).

Caracterização do número de casos por região

Açores com mais de 25% novos casos em dois dias. O Norte voltou a ser a região com o maior aumento de casos em termos brutos, 651 numa subida de 17%, muito idêntica à do Centro (16%, mais 127 casos num total de 911) e à de Lisboa e Vale do Tejo (14%, mais 222 casos num total de 1.791). No entanto, a maior subida veio do Algarve, com mais 21 casos num total de 137 (18%), não se confirmando os números inflacionados no Alentejo, que cresceram 11% (mais cinco casos, num total de 50). Nas ilhas, os Açores voltam a ter mais sete casos, num total de 48, e a Madeira regista mais três casos (num total de 46). Contas feitas, mais de 25% dos casos nos Açores registaram-se nos últimos dois dias. A informação sobre estrangeiros infetados deixou de constar do Boletim.

Número de países e casos importados

Mais um país, a Suécia, num total de 514 casos importados. Há um novo país entre os casos importados, a Suécia, com um caso detetado no Boletim desta terça-feira, aumentando assim para 39 o número total de países com casos importados (total de 514). No entanto, as subidas não se ficaram por aí e houve mais 13 países com mais casos, em especial os Emirados Árabes Unidos (subiu quase o dobro, de 21 para 38) e a Austrália (que passou de um para 14 casos). Os outros registados de maior evidência concentraram-se nos casos importados do Reino Unido (oito, num total de 49) e da Suíça (oito, num total de 32). Tiveram ainda mais casos positivos importados Espanha (seis, num total de 134), França (cinco, num total de 98), Andorra (cinco, num total de 13), Países Baixos (três, num total de 11), Argentina (dois, num total de sete), Bélgica (dois, num total de oito), Estados Unidos (um, num total de seis), Brasil (um, num total de 11) e Tailândia (um, num total de dois).

Número de casos por grupo etário

Novos casos acima dos 70 anos baixam de 30% para 20%. No dia em que houve o maior aumento bruto de casos, houve uma alteração percetível (e positiva) a nível de faixa etária: se esta segunda-feira o maior aumento tinha sido nos casos acima dos 70 anos, com 30% dos novos casos, agora as maiores concentrações estiveram entre os 30 e os 50 anos, com 369 novos casos num total de quase 36%. Entre os mais idosos, a percentagem de casos entre pessoas acima dos 70 anos baixou de 30% para 20%. O intervalo entre os 40 e os 49 anos continua a ser aquele que tem mais casos no total (1.383), seguido dos intervalos 50-59 anos (1.346) e 30-40 (1.115).

Número de casos internados e nos cuidados intensivos

Uma subida menor nos casos em UCI – mas que não deixa de ser subida. Contrariando aquilo que tem sido habitual e que se procura em Portugal nesta nova fase de combate à pandemia, confirmou-se algo que já se tinha verificado esta segunda-feira, ainda que com um crescimento menos acentuado: há mais 85 internados do que ontem, num total de 627 (mais 10%) e mais 24 casos em Unidades de Cuidados Intensivos, num total de 188 (mais 15%). Nos últimos sete dias, houve um aumento de 424 casos internados e de 140 em UCI.

Número de casos suspeitos, não confirmados, em vigilância e a aguardar resultados

Há mais 7.778 contactos em vigilância em apenas 24 horas. Os números mostram que estão a ser feitos cada vez mais testes em Portugal, um valor que se tem estado a massificar de forma percetível. Ainda assim, há hoje um dado novo que inverte uma tendência que estava a ser seguida: o número de casos de contactos em vigilância com as autoridades de saúde tiveram um aumento de 68%, passando de 11.482 para 19.260 no total (quando tinha estado sempre a descer, algumas vezes de forma acentuada, hoje tiveram um acréscimo de 7.778). O número de casos suspeitos (52.086, mais 7.880 do que ontem) e de casos não confirmados (40.033, mais 7.080 do que ontem) centrou-se em subidas entre os 18% e os 21%. Por fim, houve um decréscimo de 5% no número de pessoas a aguardar resultados, que passaram de 4.845 para 4.610 (menos 235).

Caracterização dos casos por género

Mais 119 mulheres do que homens infetadas num dia. Continua a confirmar-se uma tendência de distribuição por género em Portugal: a percentagem de mulheres infetadas tem vindo a subir de forma ligeira e gradual, com mais 119 mulheres do que homens infetados neste boletim (na véspera tinham sido 64) num total de mais 735 mulheres casos positivos em mulheres (55% do total dos casos no país, 7.443).

Número de casos por concelho

Novo Boletim “dá a volta” aos valores, Lisboa volta a ser o concelho com mais casos. Depois da confirmação por parte da Direção Geral da Saúde que tinha existido um erro na contagem de casos a nível de concelhos, os valores apresentados esta terça-feira são quase opostos aos que se tinham registado na véspera. Assim, Lisboa passa a ser o concelho com mais casos (505); o Porto desce de 941 para 462, sendo o segundo concelho com mais casos; Gondomar (298, mais 22 do que ontem), Braga (220, mais sete do que ontem) e Valongo (210, mais oito do que ontem) são os restantes concelhos entre os dez com mais casos que aumentam; Sintra, agora com 167 casos, ultrapassa Coimbra nesta tabela, que cai dos dez concelhos com mais casos.

Caracterização dos casos confirmados por sintomas

Tosse e febre continuam a ser os principais sintomas. Os sintomas apresentados entre os casos de testes positivos (com informação respeitante a 76% desses casos, menos 3% do que ontem, como é referido) mantêm-se quase inalterados em relação aos últimos dias, com uma preponderância maior de tosse (62%, mais 1%) e febre (50%, menos 1%), seguidas de dores musculares (34%, menos 1%) e cefaleias (29%). Fraqueza muscular (24%) e dificuldades respiratórias (19%) são os sintomas com menor taxa de incidência.