O Financial Times analisou dados de 14 países durante a pandemia e concluiu que o número de mortes por Covid-19 pode ser quase 60% mais alto do que os valores anunciados. Na análise, que incluiu Portugal, a publicação britânica olhou para o número de mortes entre março e abril de 2015 a 2019 e comparou-o com o registado no período homólogo de 2020. Ao ter em conta apenas outras causas de morte, as que normalmente são comuns, percebeu que houve mais mortes este ano do que nos anos anteriores.

Nos dois meses avaliados, houve mais 122 mil óbitos do que a média habitual, das quais 77 mil foram causadas pela Covid-19. Isso significa que neste grupo podem existir 45 mil mortes por esclarecer, podendo estar relacionadas com a pandemia do coronavírus, já que todos os países, à exceção da Dinamarca, apresentavam a mesma tendência. Ainda que com valores diferentes – em Portugal mais 10% (foram mais mil mortes por semana do que no mesmo período dos anos anteriores), em França mais 34% e em Itália chega aos 90% – todos têm uma diferença entre a soma das mortes por Covid-19 e outras causas neste ano e dos anos anteriores.

Utilizado o mesmo método, se o excesso de 60% estiver inteiramente ligado à pandemia, o número de vítimas mortais em todo o mundo pode ultrapassar a barreira dos 300 mil. Ao início da tarde desta segunda-feira, contavam-se 208 mil mortes – um valor que vai crescer com a atualização dos números dos diferentes países afetados.

Na publicação, o Financial Times sugere que a diferença nos números pode estar associado a uma “subnotificação” das mortes por coronavírus. Cada país tem uma maneira específica de contar as vítimas deixadas pela doença, com critérios que são considerados por uns e desconsiderados por outros.

Se Portugal estiver a cometer erros na contagem de mortos por Covid será por excesso e não por defeito. É essa a convicção da Direção Geral de Saúde. “Se um médico escreveu no certificado de óbito que o evento terminal foi Covid, então é assim que esse óbito é contabilizado”, disse a máxima responsável da entidade, Graça Freitas. Ou seja, tal como em Itália, Portugal está a registar os óbitos com Covid e não apenas os por Covid. A escolha da preposição faz toda a diferença. Até agora, antes da pandemia, um doente oncológico, por exemplo, podia morrer infetado com Covid, mas o cancro não deixava de ser a causa da sua morte na contabilização. Mas agora, a contabilização em Portugal mudou.

Os países contam as mortes por Covid de forma diferente. Contagem em Portugal considera mais casos

Já em Espanha, segundo o El Pais, não são contabilizadas as mortes em lares de idosos, nem sequer as mortes em casa, caso não tenham sido feitos previamente exames de diagnóstico. Em França, as mortes por Covid só são contabilizadas se ocorrerem num hospital.

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