Uma equipa do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e da NOVA Medical School vai estudar se a severidade da covid-19 nos doentes infetados pelo novo coronavírus está relacionada com o microbiota intestinal.

Num comunicado, o CINTESIS avança que o estudo coloca a hipótese de “pessoas de grupos de risco já identificados terem em comum fragilidades ao nível do microbiota intestinal (bactérias e outros organismos que habitam o intestino)”.

O estudo, desenvolvido no âmbito da linha de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), ‘RESEARCH 4 COVID-19’, conta ainda com um financiamento de 20 mil euros da Biocodex Microbiota Foundation.

Para estudarem se a severidade da covid-19 está correlacionada com o microbiota intestinal, os investigadores vão recrutar participantes, com mais de 18 anos, de várias unidades de saúde do país, tais como, o Centro Hospitalar Universitário de São João, Hospital São Francisco Xavier, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, Hospital CUF Infante Santo, Hospital Curry Cabral, Hospital de São Sebastião, Academia CUF e Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa.

Citada no comunicado, Conceição Calhau, investigadora líder do projeto, explica que o “microbiota intestinal tem um papel determinante na imunidade, pelo que o perfil das bactérias presentes no intestino pode condicionar uma maior vulnerabilidade para a gravidade da doença”.

Segundo o CINTESIS, os resultados obtidos com este estudo permitirão “sustentar e impulsionar” o desenvolvimento de novas estratégias de intervenção, “como serão o caso de prebióticos e/ou probióticos”.

Com um financiamento de 30 mil euros, este é um dos 66 projetos financiados pela ‘RESEARCH 4 COVID-19’, que visa responder às necessidades do Serviço Nacional de Saúde.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 230 mil mortos e infetou mais de 3,2 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Portugal contabiliza 989 mortos associados à covid-19 em 25.045 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado na quinta-feira.