O impacto negativo da pandemia nos rendimentos é muito substancial, mas os efeitos variam muito em função das famílias. De acordo com uma análise feita por economistas do Banco de Portugal, o impacto no rendimento disponível depende em muito do número de pessoas do agregado que conta com rendimentos do trabalho, bem como da sua situação laboral (se são efetivos ou trabalhadores independentes) e do setor onde trabalham.

Inquérito indica que queda de rendimentos é mais sentida nos que ganham até mil euros mensais

Tendo por base o inquérito à situação financeira das famílias de 2017, a análise “Economia numa imagem” sugere que, no curto prazo, o “impacto negativo da pandemia é crescente com o nível de rendimento disponível das famílias”. Ou seja, e apesar de análises já divulgadas que sugerem outra conclusão, as famílias com rendimento mais baixo no período anterior à pandemia estarão a sentir um impacto mais reduzido, pelo menos para já. E isso acontece porque neste grupo os seus rendimentos dependem mais de pensões de reforma ou de outras transferências públicas, como os abonos de família ou o complemento solidário para idosos, não foram afetadas no atual contexto.

Mas quando a análise se foca no rendimento apenas do trabalho o impacto é mais significativo nas famílias com rendimento disponível mais baixo, porque estes ganhos dependem mais de atividades muito afetadas pela pandemia, como a restauração e o turismo e em quadros laborais que não permitem beneficiar das medidas de apoio ao emprego e ao rendimento. Esta situação afeta os mais jovens, acrescentam os economistas do Banco de Portugal.

Outra nota vai no sentido de as famílias com rendimento disponível mas elevado, sofrerem uma maior redução dos ganhos do trabalho por causa dos limites impostos às transferências feitas ao abrigo de medidas de apoio do Estado. Por exemplo, o layoff simplificado está limitado a dois terços do salário até ao limite de 1905 euros brutos, valor que está ainda sujeito a contribuições sociais e à retenção para efeitos de IRS. E só algumas empresas estão a suportar a diferença para os vencimentos mais elevados.

A avaliação feita pelo economistas Sónia Costa, Luísa Farinha, Luís Martins e Renata Mesquita, e que não é necessariamente uma posição do Banco de Portugal, faz a salvaguarda de que esta é uma análise de curto prazo aos impactos da pandemia nos rendimentos, “pelo que não deve ser extrapolada para horizontes mais longos, quer em termos de magnitudes quer em termos dos respetivos efeitos distributivos”. Para mais informação remete para o mais recente boletim económico do Banco de Portugal.