O pior, dizem-nos, já passou. Podemos, finalmente, refazer os planos de férias que a pandemia pode, ou não, ter alterado. Mais do que nunca, importa pensar no destino: um que garanta segurança, conforto, tranquilidade e, ao mesmo tempo, tudo o resto o que se procura em férias, seja na serra ou no mar, na estrada ou no campo, à mesa ou no museu.

As viagens longas são desaconselhadas. As multidões de evitar. As praias querem-se de areal extenso, os restaurantes amplos ou com esplanada, as vistas o mais desafogadas possível e os hotéis ou alojamentos similares que tenham implementado medidas de segurança e higiene que permitam ao visitante concentrar-se no verbo que mais interessa: relaxar.

Foquemo-nos, então, no Centro de Portugal. Recomecemos por aí. Afinal, como diz a campanha do Turismo Centro de Portugal: chegou o tempo. Chegou o Tempo de recomeçar, numa fase em que nada está ou vai ficar como era. Recomece-se, então, pelo Centro do país. Porque é no centro que está a virtude. Ou melhor, as virtudes. E, por virtudes, entendam-se todas as condições necessárias e aconselháveis para este recomeço, para esta redescoberta de um país que, também ele, precisa de ser redescoberto.

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Chegou o Tempo de redescobrir

Para começar, o Centro de Portugal não é uma região. São oito: Oeste, Leiria, Médio Tejo, Coimbra, Ria de Aveiro, Viseu Dão Lafões, Serra da Estrela e Beira Baixa. A maior parte delas estão relativamente próximas das principais cidades do país — a meio caminho entre Lisboa e Porto — acessíveis por boas autoeestradas ou vias rápidas, e com postos de carregamento elétrico que permitem uma viagem sustentável. Eis a primeira virtude do Centro.

Gastronomia da região da Ria de Aveiro. Ilustração: Teresa Dias Costa

O facto de serem oito regiões, próximas, porém, bem diferentes entre si, permite uma quase inédita variedade de oferta em território nacional. É possível, por exemplo, combinar os seus atrativos para criar uma espécie de buffet de sensações nas mesmas férias, desde sensações culturais às gastronómicas.

Comecemos pelo Oeste e também pelas ondas da Nazaré, que contrastam com as águas límpidas das Berlengas. A região do Oeste é uma caixa de surpresas, que oferece um pouco de tudo: museus, monumentos, uma gastronomia deliciosa com sabor a mar, e que nos dá ainda o cabrito assado no forno ou a maçã de Alcobaça, por exemplo.

Gastronomia da região do Oeste. Ilustração: Teresa Dias Costa

Em Leiria, recuamos no tempo através do património histórico fascinante que continua preservado no tempo. Temos o Mosteiro da Batalha, Património Mundial, grutas, como as de Mira de Aire e, ainda, uma gastronomia super saborosa, e aqui podemos destacar as Brisas do Lis, património sensorial para todos quantos as provam.

Região de Leiria. Ilustração: Teresa Dias Costa

E o Médio Tejo? O Médio Tejo pede tranquilidade enquanto nos tira o fôlego com o Convento de Cristo e o belíssimo Castelo de Almourol, e ainda com as famosas tigeladas de Abrantes. Chegados a Coimbra, por onde começar? Talvez pelo Jardim da Quinta das Lágrimas, um aquecimento para a imponente Mata do Buçaco. E, como é impossível falar de Coimbra sem mencionar a gastronomia da região, precisamos de falar do famoso leitão da Bairrada, uma das 7 maravilhas da Gastronomia; parar para provar a chanfana, que vai aguçar o paladar de quem aprecia cabrito e, claro, levar para casa alguns pastéis de Tentúgal para nos adoçar a boca.

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Na Ria de Aveiro são icónicas as casas listadas da Costa Nova e os ovos moles, assim como as suas águas. Viseu Dão Lafões é a região dos três V: vinho, vitela e Viriato. É a região que pede uma bicicleta para nos aventurarmos pelas ecopistas que a compõem. Sobe-se à Serra da Estrela a pensar em vales glaciares, no queijo DOP e na Natureza, deixamo-nos encantar pelos vales e montanhas que compõem esta região e encontramo-nos com o silêncio das montanhas.

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Na Beira Baixa, terra das emblemáticas aldeias históricas do país, encontramos a tranquilidade que estávamos à procura. Encontramos a paz e o repouso, mas também a aventura, através de atividades ao ar livre como o paraquedismo ou o skysurf. E deixamo-nos deliciar com as empadas de Castelo Branco ou com o queijo amarelo.

Gastronomia da região da Beira Baixa. Ilustração: Teresa Dias Costa

Tudo isto é possível e alcançável em pouco espaço de tempo. Ou seja, não é preciso, sequer, escolher. E essa é a segunda virtude do Centro.

Mas há mais: o Centro de Portugal tem uma densidade populacional muito baixa — 78,9 indivíduos por km2, dados do PORDATA — e os seus destinos não são próprios do turismo de massa, como outras regiões com aeroportos próprios ou oferta hoteleira nesse sentido. Neste período este fator é especialmente importante. Não há duas sem três, chegámos à terceira virtude do Centro.

Ficamos por aqui? Não. Porque perante uma oferta tão vasta e diferenciada é normal que o visitante fique assoberbado. Afinal, as férias servem, em primeiro lugar, para descansar. Quando exigem demasiado planeamento, começam perigosamente a assemelhar-se a trabalho. Mas até aí o Centro de Portugal tem argumentos sólidos: uma série de belíssimos guias gratuitos de cada uma das suas regiões com mapas, sugestões de roteiros, roadtrips e diversas atividades. Adivinhou, é a quarta virtude do Centro. Para descobrir as restantes, nada como fazer a viagem.

Saiba mais sobre este projeto
em https://observador.pt/seccao/centro-de-portugal/