Morreram mais 14 pessoas por Covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas, de acordo com o boletim diário divulgado nesta quinta-feira pela Direção-Geral da Saúde. São já 1.277 as pessoas que morreram vítimas da infeção pelo novo coronavírus, num universo de 29.912 casos diagnosticados em todo o país (mais 252 do que na quarta-feira).

Um olhar pelos números globais do país desde o início do surto mostra que nos últimos dias o número de novos casos diários se tem mantido estável entre os 200 e os 250 novos casos. Desde o dia 12 de maio, altura em que se estima que se tenha começado a refletir a primeira fase do desconfinamento, que o número de novos casos se tem mantido naqueles valores, sem subidas nem descidas assinaláveis — um valor em que se enquadra o número registado esta quinta-feira.

Portugal tem mais 14 mortos e 252 infetados por Covid-19 em 24 horas

O número de casos confirmados de Covid-19 subiu 0,8% relativamente ao valor de quarta-feira, um crescimento em linha com aquele que tem vindo a ser verificado nos últimos dias em Portugal. Outra taxa que se mantém estável é a de letalidade no país, que se situa agora nos 4,27% — abaixo da taxa de letalidade a nível mundial, que é superior a 6%.

O número de pessoas recuperadas mantém-se o mesmo de quarta-feira: 6.452 pessoas já estão curadas da Covid-19 em Portugal. Por outro lado, 2.125 pessoas estão ainda a aguardar os resultados de análises laboratoriais para o diagnóstico da infeção.

As autoridades de saúde têm 22.741 pessoas sob vigilância por serem contactos próximos dos casos confirmados ou suspeitos. Há menos um doente internado do que ontem: 608 pessoas estão internadas, 92 das quais em unidades de cuidados intensivos.

No que toca às faixas etárias, o boletim desta quinta-feira mostra que o panorama geral em Portugal se mantém na mesma. A grande maioria das pessoas que morreram em Portugal vítimas de Covid-19 são idosos com mais de 70 anos (1.110 dos 1.277 mortos, ou seja, 87% das vítimas).

Na faixa etária entre os 70 e os 79 anos já se verificaram 246 mortes; já na faixa etária acima dos 80 anos o número de vítimas mortais é já de 864. Todas as pessoas que morreram nas últimas 24 horas e que surgem como novos óbitos no boletim de quinta-feira tinham mais de 80 anos.

Ao mesmo tempo, mantém-se também a tendência relativamente às faixas etárias mais afetadas pela doença, que são as dos 40-49 anos (com 5.059 casos) e dos 50-59 anos (5.030 casos).

No que diz respeito à distribuição regional dos casos e das mortes, continua a verificar-se uma tendência de maior subida dos números na região de Lisboa e Vale do Tejo. Entre quarta e quinta-feira, registaram-se mais 190 casos naquela região e mais oito mortes — um número de casos diários muito maior do que os registados noutras regiões.

No Norte, o número de novos casos esta quinta-feira foi de 52, enquanto o número de mortes foi de quatro. Já no Centro, o número de novos casos foi de apenas sete, verificando-se duas mortes. No Alentejo só se verificaram mais dois casos do que quarta-feira e no Algarve apenas mais um caso. Nos Açores e na Madeira, os números mantiveram-se inalterados.

Setenta trabalhadores da Sonae da Azambuja testaram positivo

O número de casos diários na região de Lisboa e Vale do Tejo tem-se mantido nos últimos dias sempre muito acima do que os casos registados no Norte — e ainda mais em relação ao restante território nacional. E importa assinalar que nestes números não está ainda refletido o foco de infeção que surgiu nas instalações da Sonae na Azambuja, que deverá fazer subir o “R” (número de reprodução do vírus) e fazer a região destoar ainda mais do panorama de estagnação — mesmo após a primeira fase do desconfinamento — que se regista na maioria do país.

Esta realidade ganha contornos ainda mais concretos quando se olha para o número de casos por concelho, percebendo-se que o conjunto dos municípios que compõem a área metropolitana de Lisboa reúne a grande maioria dos novos casos que se registam na região de Lisboa e Vale do Tejo.

O impacto da segunda fase do desconfinamento, que começou nesta semana, só se deverá começar a refletir nos boletins diários a partir de meados da próxima semana. Para já, é certo que a primeira fase não levou a um descontrolo da epidemia em Portugal, mas os especialistas concordam que a segunda fase será o maior teste à capacidade do país para controlar a disseminação do vírus, uma vez que é a que implica a abertura de um maior número de estabelecimentos