Até esta segunda-feira, foram realizados 346 testes na Sonae MC, na Azambuja, sendo que 121 trabalhadores testaram positivo, segundo confirmou Graça Freitas na habitual conferência de imprensa. Dos 121 infetados, cerca de 30 apresentam sintomas e apenas um está internado, mas estável.

Relativamente a outras empresas da região, esclareceu ainda a diretora-geral da saúde, foram identificados dois casos de infeção numa empresa e três noutra. No total das empresas da Azambuja, foram realizados perto de mil testes.

No dia em que se assinalam 14 mortos — sendo que apenas seis dizem respeito às últimas 24 horas —, o secretário de Estado da Saúde deixou um alerta: “Desconfinado não é descontraído. Temos, por isso, o dever cívico de nos protegermos e de protegermos os outros. A nossa saúde continua a depender de todos”, afirmou.

Sobre o aumento do número de crianças internadas por Covid-19 no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, Graça Freitas explicou que neste momento há 14 crianças internadas, sendo que três vieram de fora da região, isto é, do Alentejo e uma quarta de um país PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). Há duas crianças nos cuidados intensivos, que já apresentavam “doenças crónicas graves”.

Graça Freitas assegurou que é “prematuro” associar estes números ao desconfinamento, uma vez que o hospital recebe crianças de vários pontos do pais. “Não podemos tirar daqui uma ilação direta. Temos de esperar e ver como vai evoluir”.

“A vida social das pessoas contribui muito para que possam ou não disseminar o vírus”

Questionada sobre as declarações da diretora de Saúde Pública da OMS, que disse ser cada vez mais improvável que venha a haver uma segunda vaga de Covid-19, Graça Freitas disse que não se queria pronunciar por existirem vários. “Vamos ter aguardar. Vários estudos indicam vários cenários diferentes”, considerou.

Relativamente a um outro estudo, desta feita da Faculdade Medicina da Universidade de Santiago de Compostela e do Instituto de Investigação em Saúde espanhol, que concluiu que mais de um terço de infetados são “super-contagiosos”, Graça Freitas referiu que em Portugal também se deverá fazer um estudo semelhante.

“As pessoas que têm uma capacidade muito grande de contagiar outras… tem que ver com as suas próprias circunstâncias. (…) A vida social das pessoas contribui muito para que possam ou não disseminar o vírus”, disse ainda. Em cada pandemia há os “supercontagiosos”, não por características do vírus, mas dos contextos sociais.

Permanência de doentes em hospitais por questões sociais “é um problema que nos preocupa há bastante tempo”, diz António Sales

Questionado sobre a permanência de cerca de 20% dos doentes nos hospitais por razões sociais, António Sales admitiu que este “é um problema que nos preocupa há bastante tempo” e “é natural que se tenha agonizado um pouco com o surto epidémico”.

Admitindo que se trata de um “enorme desafio para o planeamento de políticas sociais”, o secretário de Estado da Saúde afirmou que “serão, com certeza, necessárias sempre e melhores políticas sociais de apoio aos familiares e idosos”, mas salientou que a rede social de cuidados integrados “tem respondido de forma adequada”.

“Temos neste momento uma cobertura de 64%, dispersa pelas diferentes regiões. Temos alargado estas respostas”, disse António Sales, declarando que o Ministério da Saúde está a trabalhar na melhoria das respostas dadas a estas situações.