Os combates no sudoeste do Iémen, entre os rebeldes houthis pró-Irão e as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita, fizeram mais de 80 mortos nas últimas 24 horas, segundo fontes de ambos os lados.
Pelo menos 55 combatentes houthis foram mortos na província de Taiz, sobretudo em ataques aéreos, informaram à AFP fontes militares houthis. Do lado governamental, as fontes deram conta da morte de 26 militares.
Os confrontos ocorrem em várias frentes, tanto no interior como nas zonas elevadas que dominam as regiões costeiras do Mar Vermelho recentemente conquistadas pelos houthis.
Os combatentes pró-Irão, que controlam agora grande parte do norte do país e a costa do Mar Vermelho, tentam também cercar Taiz — a capital da província e a terceira cidade mais populosa do país —, que continua maioritariamente sob controlo governamental.
Na quinta-feira, destruíram uma ponte estratégica na estrada que liga as zonas governamentais a Áden, onde estão sediadas as autoridades internacionalmente reconhecidas.
As autoridades sauditas anunciaram esta sexta-feira “danos materiais” causados pela queda de um projétil disparado pelos houthis contra uma escola na cidade de Najran, na fronteira com o Iémen.
Após vários anos de relativa calma, o Iémen voltou a mergulhar na guerra em julho, tornando-se uma nova frente do conflito no Médio Oriente.
A disputa foi reacendida pelo controlo do espaço aéreo iemenita: o Irão enviou para Sana um avião com uma delegação houthi sem solicitar autorização às autoridades oficiais sauditas — contrariando uma prática estabelecida há dez anos.
O incidente desencadeou ataques, atribuídos ao reino, contra o aeroporto da capital.
Em resposta, os houthis atacaram o território saudita pela primeira vez desde 2022, rompendo a trégua.
Desde então, as hostilidades intensificaram-se, e os combatentes alinhados com o Irão lançaram uma ofensiva há cerca de um mês, assumindo, em poucos dias, o controlo das regiões costeiras do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, que controla o acesso ao Mar Vermelho e, consequentemente, ao Canal do Suez.
Atacaram também a Arábia Saudita por diversas vezes, nomeadamente as suas infraestruturas petrolíferas, mas também a sua capital, Riade.
Os houthis acusaram esta sexta-feira a Arábia Saudita de ter bombardeado o país 94 vezes, incluindo a capital, Sana, nas últimas 24 horas.
Estas operações “causaram vítimas, mortos e feridos”, precisou o porta-voz dos houthis, Yahya Saree, sem indicar o número.
Além da capital, o porta-voz houthi identificou ataques nas províncias de Saada, Taiz, Hajjah, Amran e Ibb.
“Os ataques foram levados a cabo por aviões F-15 e Typhoon que descolaram das bases aéreas de Khamis Mushait e Taif, bem como por ataques com mísseis lançados a partir de Najran e Jizan”, continuou Yahya Saree, acrescentando que com estes ataques elevam o total para “1.350 ataques aéreos e com mísseis”.
Os novos bombardeamentos surgem após Riade ter acusado os rebeldes de terem atacado a cidade de Medina, que os houthis rejeitaram esta sexta-feira.
A coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen acusou as milícias de atacarem instalações elétricas num distrito da histórica cidade de Medina, classificando o incidente como uma nova “provocação” contra “os sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo”.
Este caso surge na sequência de um episódio semelhante ocorrido em setembro passado, quando se registou uma alegada tentativa de ataque dos houthis contra Meca, negada pelo grupo rebelde.
Em simultâneo, o Governo paquistanês anunciou esta sexta-feira uma cimeira do Acordo de Defesa Conjunta de Meca (Paquistão, Arábia Saudita e Turquia) “em breve”, para abordar a ofensiva dos houthis no Iémen e os seus recentes ataques ao território saudita.
O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Ishaq Dar, referindo-se ao pacto trilateral de defesa mútua assinado por aqueles três países em agosto deste ano, em Meca, que reúne os recursos financeiros sauditas, o poder militar turco e o arsenal nuclear paquistanês e estipula que um ataque a qualquer dos signatários equivale a uma agressão a todos, em moldes semelhantes ao Artigo 5.º da NATO, a aliança militar ocidental.