O ministro da Economia francês autorizou esta terça-feira um crédito com aval do Estado de 5.000 milhões de euros à Renault, que o governo tinha condicionado a negociações com os sindicatos sobre reduções no pessoal e encerramento de atividades.

O crédito tinha sido anunciado no início da crise causada pela pandemia de Covid-19 para ajudar o grupo a atravessar este período complicado, mas o executivo colocou condições quanto às reestruturações anunciadas pela empresa.

Fontes do Ministério da Economia citadas pelas agências EFE e pela AFP indicaram que Bruno Le Maire deverá assinar esta terça-feira à tarde o aval do Estado ao crédito, depois de ter solicitado que se garanta o emprego a longo prazo, além de 2023, na fábrica da Renault de Maubeuge, no norte do país.

Le Maire recebeu esta terça-feira representantes dos sindicatos dessa fábrica e o presidente da Renault, Jean-Dominique Senard. Após a reunião, assegurou que o aval vai avançar.

O ministério indicou que as negociações garantem o emprego e o nível de atividade industrial na fábrica de Maubeuge, depois de a Renault ter inicialmente ponderado retirar a produção da versão elétrica do modelo Kangoo desse local, passando-a para a fábrica de Douai, a 70 quilómetros.

“Não haverá nenhuma decisão sobre a transferência de atividade sem que haja um projeto de futuro acordado com as diferentes partes”, assinalou o ministério, citado pela EFE.

A partir da próxima semana serão iniciadas negociações entre a administração e representantes dos trabalhadores e haverá um balanço deste diálogo em setembro.

A Renault anunciou na passada sexta-feira um plano para poupar cerca de 2.000 milhões de euros por ano, com uma redução de cerca de 15 mil empregos em todo o mundo, 4.600 dos quais em França.