A agenda da descarbonização, a recuperação de ecossistemas, como as pradarias marinhas, ou os planos em curso sobre áreas marinhas protegidas vão manter-se, apesar da crise provocada pela covid-19, garante o ministro do Mar.

Em entrevista à Lusa a propósito do Dia Mundial dos Oceanos, que se assinala na segunda-feira, Ricardo Serrão Santos, explicou que apesar do revés económico causado pela pandemia do novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, a “aposta na economia azul tem de se manter”.

Ainda este ano, adiantou à Lusa, devem duplicar as áreas marinhas protegidas, porque o processo está praticamente pronto. Atualmente as áreas marinhas protegidas representam entre 05 a 07% do mar português.

“Estamos a preparar-nos para chegar aos 14%, associando-lhes os planos de gestão”, disse o ministro, salientando a importância de associar ao processo os setores económicos, prevendo “muitos benefícios para a economia” ainda que os resultados (da criação das áreas) não sejam visíveis de imediato.

Para já o ministro salienta que o interregno nas economias devido à covi-19 também trouxe “alguns benefícios” para os oceanos, e diz que era importante que se fizesse uma monitorização da forma como os ecossistemas responderam a esse abrandar.

Admitindo que na questão da sustentabilidade os ecossistemas terrestres têm tido mais visibilidade, até decorrente do próprio Acordo de Paris sobre o clima, Ricardo Serrão Santos destaca que o Dia Mundial dos Oceanos tem o papel de aumentar a literacia e relevar a importância do oceano, que é o principal regulador do clima.

“O oceano que temos não é o mesmo que tínhamos antes da industrialização”, por causa dos efeitos dessa industrialização “começou a aquecer, a perder oxigénio, com impactos relevantes para a vida dos próprios oceanos, e a acidificar, com efeitos nos corais, nos peixes e nos moluscos”, lembrou o responsável.

E há depois, acrescentou, a questão dos plásticos, os 70 quilos de plástico por quilómetro quadrado, que farão do plástico o primeiro tecnofóssil do planeta.

Questionado como pode ter sido prejudicial para uma melhor proteção dos oceanos o adiamento da cimeira da ONU prevista para esta altura em Lisboa, o ministro preferiu salientar o lado positivo de, em 30 anos de agendas para o desenvolvimento sustentável, aparecer pela primeira vez um objetivo dedicado aos oceanos.

“Continuamos a discutir todas as questões e esperamos para o ano ter a conferência. Mas estão a decorrer muitos seminários relacionados com este assunto”, disse.

Ao mesmo tempo está em progresso a década da ciência dos oceanos para o desenvolvimento sustentável, que deve ser aprovada em dezembro para decorrer de 2021 a 2030, lembrou.

E para 2030 Portugal está também empenhado no compromisso mundial de se atingir os 30% de áreas marinhas protegidas. Questionado sobre se Portugal atingirá esse valor no final da década Ricardo Serrão Santos disse que os 30% são um “esforço conjunto” mas assegurou que haverá mais áreas marinhas protegidas nessa altura.

Para o Dia Mundial dos Oceanos, o governante deixa um pedido, que o mundo mude e inove na maneira como utiliza o oceano, para que não tenha que gastar no futuro muito dinheiro a recuperar e antes agir agora de forma sustentável, para não ter custos no futuro mas sim benefícios.

“Estamos a conseguir corrigir muitas coisas. Mesmo ao nível da pesca conseguimos recuperar mananciais de pescado, recuperar cetáceos. Há coisas positivas que mostram que se seguirmos no bom caminho vamos recuperar os ecossistemas”, afirmou.

O Dia Mundial dos Oceanos é assinalado todos os anos a 08 de junho por proclamação da ONU e destina-se a lembrar a importância dos oceanos na vida das pessoas. A data foi escolhida para marcar uma conferência da ONU ambiente que decorreu em 1992 no Brasil, conhecida como a “Conferência do Rio”.

O tema deste ano para o dia é “inovação para um oceano sustentável”.