Artigo publicado originalmente no dia 2 de julho e republicado agora, dia 17 de julho, a propósito da confirmação do acordo entre o Benfica e Jorge Jesus

Ainda antes da pandemia, em termos internos, houve quem colocasse em cima da mesa uma possibilidade que se começava a desenhar mas para um clube rival: seria Bruno Lage uma aposta de futuro, para cumprir o contrato que entretanto tinha sido renovado até 2024 e cumprir os principais propósitos do projeto desportivo existente na Luz ou seria preferível uma alteração para aproveitar o hype de Rúben Amorim no Sp. Braga e evitar uma ida para o Sporting? Não houve dúvidas sobre a opção de manter o técnico, até porque poucos acreditavam que iria ser possível os leões pagarem mais de dez milhões por um treinador. E aquela que alguns começavam a considerar como uma escolha natural na Luz deixou de ser possível, perante a mudança do antigo médio para Alvalade.

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Os resultados não melhoraram, os sete pontos de avanço sobre o FC Porto esfumaram-se e a série de apenas duas vitórias em 11 encontros colocaram mesmo Bruno Lage em xeque. Aliás, a seguir à derrota caseira com o Santa Clara, poucos acreditavam que o técnico se mantivesse no cargo. A falta de alternativas no imediato, a posição de mea culpa que os jogadores tomaram e o contexto que os encarnados atravessavam foram argumentos suficientes para segurarem Lage. Novo desaire na Primeira Liga, desta vez na Madeira com o Marítimo, foi um fim de linha. A saída não terá sido exatamente como chegou a público, porque nem o técnico fez um discurso tão cáustico quando falou com Vieira nem o presidente das águias comunicou na altura a Lage que iria abdicar dele perante o cenário em que colocou o lugar à disposição. No entanto a saída fez-se e começou a ser discutida no dia seguinte.

Os contornos serão em parte iguais aos que foram acordados com Rui Vitória mas existirá ainda uma parte por definir: até encontrar um novo projeto, Bruno Lage continuará a receber o mesmo salário que tinha quando fez a última renovação até 2024 (dois milhões de euros brutos por época, um milhão líquido), ficando por delinear se os encarnados pagarão a diferença se o ordenado no próximo clube for mais baixo ou se o técnico prescinde dessa parte. Mas já antes da saída vários nomes estavam a ser preparados, sendo que a prioridade é a mesma.

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Mauricio Pochettino foi contactado pelo Benfica, pediu numa primeira fase algum tempo para perceber o que iria acontecer com outras formações europeias com maiores ambições que podiam ou não trocar de treinador e acabou por recusar esta semana a possibilidade. Unai Emery, que também estava na lista, também terá mostrado interesse no projeto das águias mas entende que terá outras soluções na Liga espanhola (embora ainda não tenha quebrado qualquer hipótese. Jorge Sampaoli e Rafa Benítez também foram nomes que foram chegando à Luz, neste caso sem qualquer abordagem de encarnados ou representantes em seu nome. E agora, segundo a imprensa espanhola, há mais um estrangeiro apontado como possibilidade ao comando técnico: o jovem alemão Julian Nagelsmann.

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O As escreveu esta quinta-feira que o Benfica tem no técnico de 32 anos do RB Leipzig, que deu nas vistas quando se tornou o mais novo de sempre da Bundesliga pelo Hoffenheim e ganhou a alcunha de “mini Mourinho”, alguém bem referenciado e como uma espécie de sonho impossível do próprio Luís Filipe Vieira, que acompanhará o trajeto de Nagelsmann desde que chegou ao principal escalão dos alemães. Problema? Além de ser uma espécie de “reserva” do Bayern a médio prazo, o técnico que levou o RB Leipzig a uma inédita presença nos quartos da Liga dos Campeões não tem no horizonte próximo a perspetiva de sair da Alemanha num futuro próximo.

No entanto, o Observador sabe que a grande prioridade de Luís Filipe Vieira foi, é e continua a ser Jorge Jesus. Mais: não sendo a primeira vez que falam sobre um possível regresso do técnico à Luz, depois de terem reatado as relações que esfriaram e muito quando Jesus se mudou para Alvalade (no verão onde o Benfica estava também a tentar encontrar-lhe uma “colocação” após o bicampeonato), houve uma nova abordagem concreta para deixar o Brasil com a garantia de que alguns dos pedidos que teria seriam cumpridos. O facto de ter renovado há pouco tempo, de ter garantido a alguns dos principais jogadores que ficaria e de sonhar com a revalidação da Libertadores e com a conquista do Mundial de clubes são contras que podem ser ultrapassados caso subsistam as dúvidas em torno do regresso do Campeonato e da prova continental. E Vieira acredita que conseguirá mesmo resgatar o técnico, mantendo por isso qualquer outra hipótese para suceder a Bruno Lage “congelada”.