Houve quem pensasse que o juiz iria alterar a qualificação dos crimes contra os 28 arguidos da Operação Marquês, entre eles José Sócrates, mas, afinal, o que Ivo Rosa queria anunciar nesta última sessão de debate instrutório é que o seu desfecho não será conhecido nos dez dias previstos na lei. Cabe-lhe a ele decidir se confirma a acusação e se o caso segue para julgamento, ou se o processo fica por aqui para alguns arguidos ou, mesmo, para todos. No entanto, para tal, como disse esta tarde de sexta-feira, tem que primeiro analisar milhões de documentos. E fazê-lo num prazo “tão curto” de dez dias seria “humanamente impossível” de forma justa.

Há dois dias que o magistrado tinha anunciado que os jornalistas poderiam preparar-se para captar o som e imagem nesta décima e última sessão do debate instrutório. Não justificou porque o fez e depressa se instalou o burburinho na sala de audiências do rés do chão do edifício A, do Campus da Justiça em Lisboa.

A sessão arrancou com as alegações finais de quatro dos arguidos, entre eles Ricardo Salgado, que não tinham pedido a abertura de instrução, mas que ainda assim quiseram (e têm esse direito) explicar ao juiz as razões para não levar os seus clientes a julgamento. Esperava-se que, ao fim de nove sessões com ataques ao Ministério Público e ao juiz de instrução que validou a investigação, que o procurador Rosário Teixeira ainda tivesse uma palavra a dizer a seguir às alegações. Mas nada a registar.

Depois do intervalo, luz, câmara, ação. As câmaras e os gravadores puderam captar imagens e som — numa forma pouco habitual nos tribunais. O juiz Ivo Rosa entrou na sala, sentou-se e acabou por proferir o despacho em que explicava porque não iria cumprir a data prevista na lei para a decisão num processo “particularmente complexo, difícil, exigente e moroso”. O juiz já tinha permitido a captação de som e imagem no arranque do debate instrutório, para ouvir o principal arguido, o ex-primeiro-ministro José Sócrates.

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