Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública revela que pelo menos um milhão e meio de pessoas têm um risco elevado de desenvolver doença severa, se estiverem infetados com o novo coronavírus.

A notícia foi avançada esta segunda-feira pela TSF, que cita o documento.

O estudo, a que o Observador já teve acesso, intitulado” Estimativas da População Portuguesa em Risco Elevado de Doença Grave por Covid-19 Devido à Idade e a Doenças Crónicas”, usou dados do Instituto Nacional de Estatísitica (INE) e do Inquérito Nacional de Saúde, realizado em 2014 e onde as pessoas indicaram ter uma das cinco doenças crónicas consideradas como fator de risco para o novo coronavírus: diabetes, hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crónica, doença cardiovascular e cerebrovascular.

Alargando à população portuguesa, contabilizam-se 1,560 milhões de pessoas em risco (15% da população) devido à idade e a doenças crónicas, dos quais 932 mil são mulheres e 628 mil homens. As mulheres são a população em maior risco, não só porque há mais mulheres em Portugal mas também porque são as mais afetadas pelas doenças crónicas referidas.

Em termos geográficos, a região Norte que tem “a maior população em elevado risco de doença severa” devido à “elevada prevalência de potenciais fatores de risco e ao tamanho da população” (33,7%). Seguem-se Lisboa e Vale do Tejo (226,2%) e a região Centro (24,9%).

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Estes resultados devem incentivar as Autoridades de Saúde a proteger os mais vulneráveis à ameaça da pandemia, particularmente nas áreas do país com maior probabilidade de serem mais afetadas”, refere ainda o documento.

No entanto, este estudo é considerado “restritivo” pelos próprios autores, uma vez que teve apenas em conta os portugueses com idade superior a 65 anos e as doenças crónicas que constavam do Inquérito Nacional de Saúde de 2014 e que incluem doenças reportadas pelos próprios doentes. Uma situação que pode “subestimar a população em risco”, lê-se no documento, que ressalva também o facto de não terem sido tidas em conta outras comorbildiades como cancro, obesidade severa, doença renal crónica, doença hepática e distúrbios de hemoglobina.

Se forem tidos em conta todos os idosos com mais de 65 anos e as pessoas com uma das cinco doenças crónicas acima referidas, o número de pessoas em risco sobe para cerca de 3,7 milhões, refere a TSF.

Artigo atualizado às 11h15