Qualquer grande decisão tem por norma um motivo. No caso de Pinto da Costa, que desde os 20 anos quando já andava na secção de hóquei em patins como vogal parecia destinado a chegar à presidência do FC Porto, o “gatilho” começou a surgir após a final da Taça de Portugal há 40 anos, quando os dragões perderam no Jamor com o rival Benfica. Saiu em litígio com o então líder Américo de Sá, Pedroto apoiou a posição e também deixou o clube, os jogadores mostraram-se solidários e 15 entraram mesmo em greve na pré-temporada seguinte. A candidatura a número 1 do clube era uma questão de tempo, que chegou menos de dois anos depois. Em abril de 1982, Pinto da Costa foi eleito presidente. Quase três décadas depois, o futebol português mudou por completo.

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Aos 82 anos, o líder dos azuis e brancos não mudou os hábitos e voltou a chegar a Coimbra no autocarro com a equipa. Assistiu ao encontro na tribuna, onde estava também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o líder da Federação, Fernando Gomes, e o homólogo encarnado, Luís Filipe Vieira, mas não chegou ao intervalo: na sequência da expulsão de Sérgio Conceição do banco de suplentes, o presidente portista desceu a bancada e encaminhou-se para o túnel por onde tinha passado o treinador. No final, os dragões fizeram a festa mas Pinto da Costa manteve o registo discreto, sendo apenas apanhado num vídeo feito pelas redes sociais do clube a segurar a Taça antes de chamar Mbemba para a fotografia da praxe com o herói da noite. A 13.ª Taça de Portugal.

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Em termos genéricos, é comum dizer que Pinto da Costa já ganhou tudo. É verdade, quase a 100%. Entre as raras exceções, continua a Taça da Liga (onde perdera naquele mesmo Estádio Cidade de Coimbra com o Sp. Braga). Uma outra raridade era a falta de triunfos na final da prova rainha do calendário nacional frente ao Benfica, após três derrotas em 1983, 1985 e 2004. O jejum terminou, num encontro em que os azuis e brancos estiveram apenas com dez e sem treinador durante mais de uma parte mas mesmo assim conseguiram fazer a dobradinha. A oitava do FC Porto, a sétima com o líder no comando. E começa aí a hegemonia dos últimos 38 anos: desde 1982, Pinto da Costa festejou mais dobradinhas (sete) do que Benfica (quatro) e Sporting (duas) juntos.

Mas as contas não ficam por aí e dão empate nesse lapso de tempo em relação aos troféus nacionais comparando com Benfica e Sporting: mesmo contando com essa época de 1981/82, em que foi eleito no final da temporada e com mais dúzia de jogos por disputar de abril para a frente, os encarnados ganharam 36 troféus (13 Campeonatos, nove Taças de Portugal, sete Taças da Liga e sete Supertaças) e os verde e brancos conseguiram 19 títulos (três Campeonatos, sete Taças de Portugal, duas Taças da Liga e sete Supertaças). E o FC Porto de Pinto da Costa? 55, tantos como os rivais juntos (22 Campeonatos, 13 Taças de Portugal e 20 Supertaças).

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As sete conquistas europeias (duas Taças dos Campeões Europeus/Liga dos Campeões, duas Taças UEFA/Liga Europa, duas Taças Intercontinentais e uma Supertaça Europeia) fazem desequilibrar ainda mais a balança, sendo que este foi assim o 62.º título de Pinto da Costa como presidente no futebol dos azuis e brancos em 74 no total que os dragões têm, o que representa um peso de 84% dos troféus conseguidos apenas de 1982 para a frente.

Largos dias têm 22 Campeonatos e 61 títulos – ou como Pinto da Costa ganhou espaço para tomar conta do tempo