“Não sei nada do Benfica”, disse Darwin Núñez no fim de semana passado, quando questionado sobre uma eventual transferência para os encarnados. Em poucos dias, porém, tudo mudou. Foi o próprio avançado uruguaio que confirmou a saída do Almería e que avançou desde logo que tinha assinado por cinco temporadas com o Benfica. Enquanto deixava as instalações do clube espanhol, Darwin falou pela última vez como jogador do Almería e pela primeira como jogador do Benfica.

“O Almería vai no meu coração. Queria despedir-me pessoalmente das pessoas do clube, porque a forma como me trataram foi sempre muito boa desde o primeiro dia em que cheguei ao Almería. Muito obrigado por tudo, de verdade. Assinei por cinco anos com o Benfica, é um bom salto na minha carreira. Vou sempre seguir o Almería”, disse o avançado de 21 anos ao jornal La Voz de Almería. A publicação refere ainda que o jogador deixou o estágio do clube em Marbella e chegou ao Estadio de los Juegos Mediterráneos a meio da manhã precisamente para se despedir pessoalmente dos funcionários e de todo o staff. Além de Edgardo Lasalvia, o representante de Núñez, também Rui Costa foi visto a sair do recinto do Almería depois de se ter deslocado à região para encerrar as negociações.

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Depois de apenas uma época no clube espanhol, que está no segundo escalão de Espanha, o avançado de 21 anos vai tornar-se a contratação mais cara da história do Benfica: a transferência deve chegar aos 24 milhões de euros, segundo o jornal espanhol, acima dos 22 milhões que os encarnados pagaram ao Atl. Madrid por Raúl Jiménez em 2015 e que eram ainda o valor máximo que o clube da Luz tinha dado por um jogador. Além disso, esta torna-se ainda a transferência mais valiosa da história da Segunda Liga espanhola (o recorde durava há 20 anos e era de Jimmy Floyd Hasselbaink, quando trocou o Atl. Madrid pelo Chelsea por 23 milhões) e a maior venda de sempre do Almería (superando largamente os oito milhões que a Fiorentina pagou por Felipe Melo em 2009). Internacional pela seleção uruguaia – regista apenas uma aparição, em setembro do ano passado, e estreou-se desde logo a marcar –, Darwin Núñez é produto da formação do Peñarol e chegou à Europa apenas em agosto do ano passado.

Em 2017, com apenas 18 anos, o avançado chegou à equipa principal do clube uruguaio mas passou a época a braços com uma lesão no joelho que o forçou a duas cirurgias. Só se estreou a marcar no ano seguinte e deixou o Peñarol com um registo magro: em três anos, fez 22 jogos e apontou apenas quatro golos. Algo que não afastou o interesse do Almería, que em agosto de 2019 e quando era Pedro Emanuel o treinador desembolsou quase cinco milhões de euros pelo avançado. Na época passada e ao longo de três treinadores – depois de Pedro Emanuel apareceu Guti, substituído por Mário Silva, que também saiu para orientar o Rio Ave e já foi rendido por José Gomes –, Darwin Núñez tornou-se uma das principais caras do projeto e das pretensões de Turki Al-Sheikh, o milionário saudita que adquiriu o clube em 2019 e que se comprometeu a devolvê-lo à primeira liga espanhola.

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Esteve perto na época que ainda agora terminou, ao acabar no quarto lugar da classificação que garante uma vaga no playoff de acesso ao escalão superior – perdeu com o Girona nas meias-finais e não chegou a marcar presença na decisiva final, onde o Elche bateu os catalães e agarrou a promoção. Ao longo da temporada, Darwin Núñez marcou 16 golos no Campeonato e foi o quarto melhor marcador da competição, atrás de Stuani, Suárez e Yuri. O avançado trabalhou de perto com Nandinho, treinador da equipa B do Almería que foi adjunto de Mário Silva na equipa principal,  jogou no Benfica no final dos anos 90 e garante que o uruguaio pode “tornar-se num dos melhores avançados do futebol atual”.

“Trabalhei com ele na época que terminou. Pude constatar que é um miúdo que gosta de trabalhar, de treinar e de aprender. É muito competitivo, em todos os exercícios ele quer sempre mais e mais. Quando treinávamos a finalização tinham de tirar-lhe a bola porque ele não descansava. Isso mostra que não estava acomodado apesar de já ser o melhor jogador da equipa, aos 21 anos. Tem grande margem de progressão e pode tornar-se num dos melhores avançados do futebol atual”, disse o técnico à Rádio Renascença, acrescentando que existe a forte possibilidade de o Benfica conseguir rentabilizar o investimento feito no avançado.

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Em Darwin Núñez, Jorge Jesus ganha poder de fogo na frente de ataque e uma referência ofensiva que fez falta ao Benfica na temporada anterior. Sem acordo com Cavani, sem contar com Dyego Sousa, com um Carlos Vinícius a poder ser vendido e um Seferovic perdulário, o treinador encarnado queria um avançado de raiz que pudesse oferecer golos e vitórias à equipa. Algo que é a carta de apresentação do uruguaio, ainda que Núñez se tenha de adaptar e habituar a entrar numa equipa que não joga em sua função, como acontecia no Almería. E chega com uma curiosidade: é apontado como o próximo Cavani, de acordo com a imprensa local.

O avançado de 21 anos torna-se assim o sétimo reforço do Benfica para a próxima temporada, depois de Helton Leite (ex-Boavista), Vertonghen (ex-Tottenham), Gilberto (ex-Fluminense), Cebolinha (ex-Grémio), Waldschmidt (ex-Friburgo) e Pedrinho (ex-Corinthians), sendo que este último foi contratado ainda em março mas só agora integrou o plantel encarnado.

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