Luís Marques Mendes revelou este domingo que o Governo está a preparar-se para não inscrever no Orçamento do Estado para 2021 “nem mais um euro” para o Fundo de Resolução do Novo Banco.

Depois de criticar o facto de o texto da auditoria da Deloitte ao Novo Banco continuar a não ser do conhecimento público — “Esta auditoria foi exigida pelo Presidente da República e pela Assembleia da República. E agora fica na gaveta? Esta é uma cultura salazarenta; mais do que salazarista é salazarenta. É uma cultura de secretismo, de opacidade, de falta de transparência, tem de ser banida de Portugal” —, o comentador da SIC revelou, no seu habitual espaço de comentário semanal, que a última tranche prevista para o Fundo de Resolução nunca deverá chegar a acontecer.

“Eu acho que não vai haver no próximo Orçamento do Estado mais um único euro para o Fundo de Resolução”, começou por avançar, com pinças, o comentador.

“Em circunstâncias normais, seria a última tranche, ou seja o Governo metia no Orçamento 600 ou 700 milhões para emprestar ao Fundo de Resolução, para ele meter no Novo Banco, de acordo com aquilo que está no contrato. Mas, segundo eu apurei — a decisão não está formalmente tomada, mas está praticamente tomada —, o Governo não vai inscrever um único euro no Orçamento do Estado”, concluiu logo depois com segurança.

De acordo com o comentador, a decisão resulta não apenas do “quadro de radicalismo anti Novo Banco” vigente no País mas também da indisponibilidade já demonstrada pelos partidos para viabilizar a disponibilização da verba.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A solução? “O Fundo de Resolução vai ter de se financiar noutro lado”, explicou ainda Luís Marques Mendes. “Vai ter que, ou arranjar um financiamento num banco estrangeiro, ou em mais do que um banco estrangeiro; ou vai ter de arranjar financiamento na Europa, uma linha de financiamento da União Europeia.”