A SMIC (Semiconductor Manufacturing International Corporation), uma fabricante chinesa de chips e componentes tecnológicos, pode ser o próximo alvo do governo dos EUA. Na sexta-feira, como avançou a Reuters, uma porta-voz do Pentágono disse que o Departamento da Defesa do país estava a ponderar se ia ou não banir a empresa. Por causa disso, esta segunda-feira as ações caíram quase 23%, como conta a BBC.

Esta empresa de semicondutores é parceira de empresas como a Huawei, da China, ou da Qualcomm, norte-americana. Com esta suspensão, a SMIC passa a ser o próximo alvo da guerra comercial entre os EUA e a China. Apesar de não fabricar componentes estritamente necessário para os smartphones que estão no mercado, como pequenos transístores, a SMIC tem tentado tornar-se mais competitiva com parcerias na China. De acordo com a BBC, se a suspensão avançar, a SMIC pode mesmo deixar de existir, o que criaria mais um obstáculo para as ambições chinesas de ter mais empresas de semicondutores.

A justificação dos EUA para um possível banimento da SMIC é a mesma que tem usado para banir empresas chinesas com o Tik Tok, a Huawei ou a ZTE: “representa um perigo para a segurança nacional” e está em conluio com o governo chinês. De acordo com fontes do Pentágono citadas por estes meios, os responsáveis norte-americanos estão inclusivamente preocupados com os laços que existem entre a SMIC e o exército chinês.

Não obstante, a SMIC nega ter ligações com o exército chinês: “A empresa fabrica semicondutores e fornece serviços exclusivamente para utilizadores finais civis e uso comercial civil”. Contudo, um dos maiores acionistas da empresa é o Datang Telecom Group, que fornece equipamentos para o Exército de Libertação Popular, as forças armadas da República Popular da China e do Partido Comunista chinês.

Não temos relação com os militares chineses. Quaisquer suposições sobre os laços da empresa com os militares chineses são declarações falsas e falsas acusações”, diz a SMIC.

Por causa disto, Pequim opôs-se “firmemente” contra esta possível decisão. Ao canal britânico, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China acusou Washington de fazer “bullying flagrante” e de usar supostas preocupações com a segurança nacional para quebrar as regras do comércio internacional.

Se a medida avançar, à semelhança do que aconteceu com a Huawei, todos os equipamentos que utilizem tecnologia da SMIC nos EUA podem ficar comprometidos. Isto porque, assim que o banimento fosse acionado, a SMIC ficará impossibilitada de atualizar os componentes, dizem analistas.

Também não seria capaz de comprar mais equipamentos ou atualizações para novas tecnologias. Se isso persistisse por longo prazo, representaria uma ameaça existencial que poderia fazer com que a empresa fechasse as portas”, disse à BBC o analista Richard Windsor

De acordo com o Financial Times, só a possível ameaça de um banimento à SMIC tirou mais de 6 mil milhões de dólares (cerca de 5,3 mil milhões de euros) do valor da empresa.