O Banco Montepio quer fazer 119 reformas antecipadas e dispensar, por mútuo acordo, 308 comerciais e 377 trabalhadores do backoffice, apurou o Observador. No total, segundo o plano que foi acordado pela direção do banco e já foi enviado ao Banco de Portugal, são 804 pessoas que serão convidados a sair ao abrigo do plano de reestruturação que o Observador noticiou a 17 de julho quando este foi apresentado a uma agência de rating. Já nessa altura se apontava para esta redução de 20% nos custos com pessoal, num banco onde trabalham cerca de 4.000 pessoas.

Eis os detalhes do plano de reestruturação, segundo a informação recolhida pelo Observador:

  • O plano, como um todo, custará 79,4 milhões de euros, em termos estimados.
  • Desse total, o Banco Montepio conta gastar 11 milhões a fechar fisicamente 80 balcões, cerca de 138 mil euros, em média, por cada um.
  • No que diz respeito aos trabalhadores, são 804 saídas que se esperam, com um custo total estimado de 68,3 milhões de euros – em média, 85 mil euros por cada pessoa.
  • Antecipa-se a saída de 308 comerciais por mútuo acordo, com 20,6 milhões de euros “investidos” nesse programa. Em média, a cada um será proposto um pacote indemnizatório de 67 mil euros. Um cálculo de 1,6 salários por ano de casa é uma referência para estes cálculos.
  • Quanto a trabalhadores de back office, as rescisões por mútuo acordo deverão levar à saída de 377 pessoas. Em cada processo deverá ser proposto um pacote médio de 88 mil euros. No total, 33,2 milhões de euros gastos em saídas de pessoal dos serviços.
  • No campo das reformas antecipadas, prevê-se a saída de 119 pessoas, o que implicará um custo de 13,9 milhões para o banco. Aqui não há um pagamento indemnizatório no momento da saída, mas em média cada trabalhador que saia nestas circunstâncias custará ao banco 117 mil euros.

Foi este plano de reestruturação que foi enviado ao Banco de Portugal em condições que, como noticiou o Observador esta quinta-feira, levaram Carlos Tavares, o presidente do conselho de administração, a escrever um e-mail muito crítico da comissão executiva liderada por Pedro Leitão. Leia mais aqui:

Alta tensão na cúpula do Banco Montepio sobre o plano de corte de pessoal

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Os sindicatos Mais Sindicato e SBC reuniram-se ao final da tarde de quarta-feira com a administração do Montepio, que confirmou a pretensão de apresentar aos trabalhadores um programa de reformas antecipadas e rescisões de adesão voluntária para a redução de efetivos.

Nessa reunião, segundo disseram os sindicatos, a administração confirmou que iria diminuir o número de efetivos, mas “garantiu ser falso que esta medida atinja 800 trabalhadores”. “O total ainda não está definido“, garantiram os responsáveis aos sindicatos.

Como foi noticiado pelo jornal Eco na semana passada, foi pedido o estatuto de empresa em reestruturação para poder garantir a eventualidade de no próximo triénio permitir a atribuição de subsídio de desemprego a quem aceite deixar o banco.

Associação mutualista quer que se dê “atenção particular às pessoas”

O Observador tentou obter um comentário oficial por parte do Banco Montepio. Esta notícia será atualizada se esse comentário for prestado.

Já fonte oficial da Montepio Geral Associação Mutualista indicou ao Observador que “acompanha a vida do Banco Montepio, ainda que, naturalmente, existam matérias que se inscrevem na gestão do Banco e do seu Regulador”. E acrescentou: “Os processos de ajustamento, as suas dinâmicas de implementação e os impactos associados não deixam, contudo, de ser definidos e orientados no respeito pelos valores que inspiram a Associação Mutualista e todo o Grupo Montepio, garantindo, como tal, atenção particular às pessoas e às necessárias condições de aceitação e satisfação recíprocas”.

Segundo apurou o Observador, na sexta-feira 11 de setembro houve uma reunião entre a administração do Montepio (e a comissão executiva) onde foram transmitidos os principais contornos deste plano.