Foi na quarta-feira que o alarme soou. Duas estudantes da Escola Secundária Pinheiro e Rosa, irmãs, poderiam estar infetadas com o novo coronavírus. Os resultados dos testes chegaram no dia seguinte, quinta-feira, ao agrupamento de Faro. Um positivo, um negativo. As alunas já não regressaram à escola e a turma da estudante infetada foi enviada para casa, de quarentena profilática. Os professores daquele grupo de alunos mantêm-se na escola, já que usam máscara em permanência e mantém uma distância de dois metros dos jovens.

“Não creio que haja mais nenhum contágio na escola”, afirma Francisco Soares, diretor do agrupamento Pinheiro e Rosa. Esta é a segunda vez que se vê a braços com um caso de Covid-19. A primeira vez foi a 18 de junho, a escola fechou portas, e o balanço final foram três assistentes operacionais infetadas. Agora, é uma aluna.

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“Não tenho certezas absolutas, mas parece-me que o contágio aconteceu no seio familiar. São duas irmãs, vivem na mesma casa, e uma deu positivo e a outra negativo”, esclarece o diretor. Depois de alertar os serviços de saúde, Francisco Soares conta que investigou as redes de contactos das alunas para fornecer esses dados ao delegado de saúde e explicou o sucedido à turma, antes de a enviar para casa.

“Estamos a ativar o ensino à distância para estes alunos, seguindo todos os protocolos da Direção Geral de Saúde. Agora estão em casa, à espera de serem contactados pelo delegado de saúde, que irá decidir quem deve ou não fazer testes para saber se foi infetado depois de avaliar a rede de contactos próximos”, detalha o diretor.

Todas as decisões tomadas até agora foram pelo delegado de saúde. “Eu só executei e com muita tranquilidade”, diz Francisco Soares.

O diretor lembra que por serem alunos do secundário todos usam máscara e a escola tem regras de segurança apertadas, o que o leva a crer que não terá havido contágios entre a comunidade educativa. Também por isso, foi decidido não ser necessário enviar os professores para casa já que as regras de segurança foram sempre cumpridas.

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“Cada caso é um caso e as soluções não serão todas iguais de escola para escola. Todas as decisões estão a ser tomadas com muita consciência e esta atuação rápida ajuda-nos a garantir que não há mais infetados. E estes casos, está tudo a vir de fora. Não tenho dúvidas de que a escola é o lugar mais seguro para os alunos e é preciso passar essa mensagem de confiança aos pais”, argumenta o diretor.

Na quinta-feira, numa escola da Guarda, a decisão tomada também pelo delegado de saúde local foi bastante diferente: as aulas continuaram a ser presenciais mesmo depois de ter sido detetado um aluno infetado, realizando-se testes apenas aos contactos considerados de risco.

Sobre o sucedido agora em Faro, Francisco Soares faz também questão de pôr o caso em perspetiva. “Começámos as aulas há 7 dias, temos 2.500 alunos no agrupamento e 550 na escola secundária. Tivemos um caso positivo de Covid-19. Se fizermos as contas, a percentagem será muito baixa.” Conta feita para a escola secundária, o resultado é 0,18% de alunos infetados.