O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, considerou esta sexta-feira “estruturante” para Portugal a nova empresa luso-brasileira ELIO Tecnologia, sediada em Évora, que aposta na tecnologia para oferecer serviços de precisão para o setor agroflorestal.

“É estruturante porque reúne um centro tecnológico português”, o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, “com uma empresa estrangeira”, a brasileira ELIO, afirmou aos jornalistas o ministro Manuel Heitor, após a sessão de apresentação da empresa, em Évora.

O governante realçou que “é particularmente importante, em termos de política industrial, que a entrada de empresas estrangeiras em Portugal seja feita em estreita articulação com instituições que possam apropriar o conhecimento e, depois, em Portugal, desenvolver raízes fortes para o exportar”.

“E esta empresa tem essas componentes. É uma empresa brasileira que se junta com um grande centro tecnológico com o objetivo de criar uma plataforma de novos serviços para a agricultura sustentável em Portugal” e inserida “no contexto europeu”, sublinhou Manuel Heitor.

Segundo o ministro, trata-se também de uma parceria luso-brasileira “particularmente oportuna” no âmbito do “arranque do novo quadro de financiamento plurianual”, ou seja, do novo quadro comunitário de apoio, e também “no plano de recuperação económica”.

“E numa área particularmente crítica para Portugal e para a Europa, que é o aumento da produtividade dos solos reduzindo a pegada ecológica e, por isso, o uso de químicos, mas também preservando a sustentabilidade de um recurso que é escasso, que é a água”, vincou.

A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, também esteve presente no lançamento desta empresa, que recorre à tecnologia aeroespacial, aeronáutica, robótica e inteligência artificial para oferecer soluções de precisão para a agricultura, pecuária e floresta.

Trata-se de uma empresa estrangeira, “pese embora de portugueses” que apostaram no Brasil, “que agora investe aqui em Portugal” e “em tecnologia de ponta”, o que permite ao país “ir mais longe” no desafios para “aumentar a produção de géneros alimentícios” e, ainda assim, “não aumentar a pressão sobre a utilização dos recursos naturais”.

A ELIO Tecnologia, frisou, “quer criar condições para, através da recolha de dados e do desenvolvimento de algoritmos, poder fazer, com drones, não só a aplicação de fatores de produção” de forma “mais precisa, eficiente, eficaz e, portanto, gastando menos para fazer melhor, como também, com esta tecnologia, vai permitir ter uma previsibilidade” para se ir ao terreno e “resolver situações antes” que se tornem “pandemias”.

A empresa, de acordo com o CEiiA, “revolucionar o setor agroflorestal através da monitorização e gestão autónoma de ativos, transformando dados em ‘insights’ de negócio”, ou seja, gerando “novos negócios na digitalização da agricultura e florestas”.

A “meta de curto prazo” desta ‘joint-venture’ é a colocação no mercado europeu de “soluções tecnológicas que ajudarão a proporcionar ao setor da agricultura maior eficiência, mais rendimento, mais inclusão digital e mais inovação tecnológica”.

O “desenvolvimento, industrialização e comercialização de novos serviços para o setor agrícola, baseados em Veículos Aéreos Não Tripulados, como drones e dirigíveis”, é outra das áreas de atuação.