A Cruz Vermelha Portuguesa já recebeu os testes rápidos de deteção de antigénio para despistar casos de infeção pelo novo coronavírus e começou a aplicá-los esta terça-feira no Posto Fixo de Lisboa para Testes à Covid-19. Mas todas as pessoas testadas por eles ainda terão de passar por um teste convencional de PCR para constarem nos boletins diários da Direção-Geral da Saúde.

De acordo com Gonçalo Órfão, coordenador nacional de emergência da Cruz Vermelha, a instituição já recebeu “alguns milhares” de testes, mas “o grande volume de testes está a ser analisado pelo Governo para serem utilizados”: “Já estamos a fazer testes mas, como estamos a aguardar a diretiva da Direção-Geral da Saúde [DGS], são efetuados quando nos é solicitado, quando há prescrição para isso”.

Apesar de estes serem testes de diagnóstico, os resultados não constarão nos relatórios de situação das autoridades de saúde. “Ainda não são admitidos para realização de diagnóstico oficial. Para isso ainda são admitidos apenas os testes moleculares”, prossegue o médico.

Ou seja, mesmo com os testes rápidos já disponíveis, enquanto não forem publicadas as diretivas da DGS, todos os casos analisados pela Cruz Vermelha estão a fazer um segundo teste convencional, quer testem positivo para uma infeção pelo novo coronavírus, quer testem negativo.

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O Posto Fixo de Lisboa para Testes à Covid-19 entrou em funcionamento esta terça-feira e resulta de um esforço da Cruz Vermelha com o Instituto de Medicina Molecular (IMM) e a Autoridade Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo. Tem por objetivo “aumentar a capacidade de testagem a nível nacional, muito particularmente na região de Lisboa e Vale do Tejo”, assinala o médico.

A técnica utilizada nestes testes rápidos é a mesma que é aplicada com os testes PCR: a zaragatoa, um instrumento semelhante a um cotonete comprido que colhe uma amostra na nasofaringe — a região atrás do nariz e acima do palato mole. Neste Posto Fixo serão feitos tanto os testes PCR (em quantidades inferiores) como os testes rápidos de deteção de antigénio, que assinalam a presença de uma proteína da superfície do vírus.

Segundo Gonçalo Órfão, os testes de antigénio serão aplicados “numa fase inicial da doença”, quando a pessoa infetada começa a desenvolver sintomas da Covid-19, o que ocorre cinco sete dias após o contágio. Nessa altura, a carga viral será superior, havendo uma maior probabilidade de ser detetada pelo teste — que, por ter menos sensibilidade que os testes PCR, podem resultar em falsos negativos.

O Governo já tinha afirmado que estes testes serão utilizados “num contexto de escassez de recursos, de evolução epidemiológica e em certas situações específicas — surtos, em contexto de lares, escolas”, disse António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde. Mas, “tendo em conta a alta probabilidade de testes negativos, achamos que não deve constituir um critério único na avaliação”, alertou.