Até ao fim do ano, temos três feriados para gozar. Faça chuva ou faça sol, haja ponte ou não, aproveite-os, pois, não é porque o verão acabou que temos de ficar fechados em casa. É claro que precisamos de ter em conta os constrangimentos provocados pelo coronavírus: se vamos viajar de carro, a sua lotação está dependente se todos os ocupantes são do mesmo agregado familiar; devemos usar as máscaras de proteção, lavar as mãos e manter o distanciamento. Regras que, apesar de apenas terem surgido no seguimento da pandemia, começam já a fazer parte do nosso quotidiano. E são seguidas nos museus e em todos os equipamentos culturais que se apresentam abertos e preparados para receber os seus visitantes, com toda a segurança e medidas de higienização garantidas.

Dito isto, é tempo de desenhar o caminho a percorrer e fazer-nos à estrada. Joana Barrios põe as mãos no volante desportivo em ecopele do FIAT 500X Sport (de um vermelho extraordinário), e leva-nos pela A1, de Lisboa à Golegã, para visitarmos a Casa-Estúdio Carlos Relvas. É a primeira paragem de um dia entre o Alentejo e a região Centro.

Mal entramos na cidade, as setas dirigem-nos para o local, mas nada nos prepara para a casa que encontramos do outro lado do muro, ainda meio escondida pelo jardim, no Largo D. Manuel I.

“O mais perfeito atelier fotográfico”

É verdade, foi mesmo assim que o conceituado fotógrafo inglês major-general James Waterhouse se referiu a este edifício, que antevemos atrás da folhagem de um jardim romântico, quando o visitou no início da década de 80 do séc. XIX. Nessa altura, Carlos Relvas era já um conceituado proprietário rural, criador de cavalos, cavaleiro tauromáquico, inventor, músico e pioneiro da fotografia em Portugal. Nascido no seio de uma família abastada no Palácio do Outeiro (Golegã) em novembro de 1838, foi um homem muito influente. Do seu primeiro casamento, nasceram cinco filhos. Destacamos dois: José Relvas, político republicano que, em 1910, anunciou a implantação da República da varanda da Câmara Municipal de Lisboa; e Margarida Relvas, também ela fotógrafa. O militar inglês tinha tido contacto com a obra do fotógrafo português na Exposição de Paris de 1878, mas a impressão que o estúdio lhe deixou foi ainda mais marcante: construído ao gosto romântico, apresenta-se como um elegante edifício mesmo no centro da localidade. James-Waterhouse deixa o relato da sua visita no “The Year Book of Photography and Photographic News for 1882”, editado nesse ano pela Baden Prichard, onde revela a sua admiração pelo fotógrafo português e lamenta apenas que o estúdio se encontre “escondido, tão longe no campo”. Como curiosidade, acrescentamos que, em 1905, oferece ao Victoria & Albert Museum, de Londres, uma fotolitografia de Carlos Relvas, da Capela do Mosteiro da Batalha.

Fazer a visita guiada à casa vale mesmo a pena e, se as salas do piso de baixo revelam muito da história do espaço, o andar de cima, ao qual se acede por uma escada em caracol feita em madeira importada, é de suster a respiração. A estrutura segue as tendências da arquitetura do ferro e vidro, e no interior, foi montado um complexo sistema de cortinas que permite controlar a luz a todas as horas do dia. Um conjunto de equipamentos, móveis e adereços decoram o espaço, parecendo que apenas esperamos a chegada do profissional para nos tirar o retrato.

Para quem prefere conhecer o espaço de forma virtual, pode explorar o site da Casa-Estúdio. Não é a mesma coisa, mas foi algo a que nos habituámos no período de confinamento. Já que está online, espreite a presença do nosso FIAT 500 numa exposição no MOMA de Nova Iorque, intitulada “The Value of Good Design”.

O manuelino no seu esplendor

Por falar em design, ao sair da Casa-Estúdio, vire à direita e não precisará andar muito pela Rua Agostinho Macedo para se encontrar face a uma outra obra de arte de referência: a Igreja Matriz da Golegã ou da Nossa Senhora da Conceição – e que dá nome ao Largo da Imaculada Conceição, onde está inserida. Datada do século XVI, tem, segundo o site da Direção Geral do Património Cultural, “um dos mais importantes e emblemáticos portais do ciclo manuelino”. Terá sido construída pelo arquiteto francês Diogo de Boitaca, por iniciativa de D. Manuel, que custeou parte das obras, embora a população da época tenha também ajudado a pagar as despesas.

Neste momento do dia, a fome começa a ocupar o lugar do espanto e procuramos a “Taberna da Rita” para almoçar. Inserimos a morada no sistema de navegação do nosso FIAT 500X Sport e verificamos que fica a cerca de 10 minutos de carro, no lugar de Pinheiro Grande. A caminho, passamos a Ponte João Joaquim Isidro dos Reis, ou apenas Ponte da Chamusca, que cose as margens do Tejo entre a Golegã e a Chamusca. Inaugurada em 1909, tem 756 metros e é mais um exemplar da arquitetura do ferro. Construída para acelerar a passagem e substituir as barcas que faziam esse trabalho, talvez já não seja suficientemente larga para o tráfego atual. No entanto, é mais um registo do passado que importa não esquecer. Na “Taberna da Rita”, não só somos muito bem recebidos, como degustamos um bacalhau assado com couves a soco e uns secretos de porco deliciosos.

Vamos a banhos

Para digerir o almoço, planeámos uma visita à praia fluvial da Ortiga, não só porque o tempo ainda promete sol, como estamos a fazer um reconhecimento de possíveis locais para passar as próximas férias de verão. Situada na junção da foz da Ribeira D’Eiras com a albufeira da Barragem de Belver, a praia oferece-nos uma paisagem magnífica. Ainda conseguimos molhar os pés na água, mas a época balnear já terminou e não há nenhuma das infraestruturas que, até há um mês, apoiava os veraneantes que povoavam este espaço. Um restaurante e um café, bem como mesas de piquenique permitem que — durante os meses de verão — se passe aqui um dia inteiro, sem que nada falte. Uma torre de escalada faz as delícias dos mais afoitos e ainda há a possibilidade de alugar barcos a remos ou gaivotas. O parque de campismo, mesmo ali ao lado, faz com que seja possível sentir que estamos num pequeno pedaço do paraíso.

Além de nos permitirem aliviar do calor, as praias fluviais têm a vantagem de ajudar a descentralizar e a não sobrecarregar as zonas costeiras, bem como são uma excelente forma de ajudarmos a economia local. E apesar de não haver dunas para danificar, o ecossistema é igualmente frágil, e nós fazemos parte dele. Deixar tudo como estava — ou melhor — é a palavra de ordem. Assim fazemos, e prometemos voltar.

No castelo do rei Vamba

Antes de voltar para casa, aguarda-nos um último ponto do nosso mapa: as Portas de Ródão, um monumento natural perto de Vila Velha de Ródão, que não pode deixar de visitar. Estas duas imponentes paredes escarpadas, por onde o rio Tejo corre manso, ficam a pouco mais de uma hora de distância da praia fluvial da Ortiga e são uma maravilha da Natureza. No topo de uma das margens, está o castelo do visigodo rei Vamba (cerca de 672-680), onde ainda conseguimos ouvir o sussurrar da lenda que atribui à mulher do rei uma maldição sobre aquele lugar. O castelo permite uma vista inigualável sobre o vale do Tejo que corre lá em baixo, e se tiver sorte e vagar, conseguirá avistar alguns elementos da maior colónia de grifos do país — um nome mais bonito do que abutre, mas que se refere a esse mesmo animal, uma das maiores aves existentes em Portugal.

Agora, já pode regressar a casa, ligue o cruise control do FIAT 500X Spot e faça-se à estrada. São pouco mais de duas horas para voltar a Lisboa pela A1, mas pode sempre ficar para um fim de semana, pois há muitos sítios onde pernoitar e ainda mais para visitar. Pode igualmente assumir que muito ficou para ver, pelo que regressará para umas férias a meio do ano, com toda a família ou um grupo de amigos. O FIAT 500X Sport é robusto e confortável, pelo que só a viagem já será um prazer.

Será ver, para crer.

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