O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, considerou esta sexta-feira que até agora a dexametasona corticosteroide é a única terapêutica comprovada como eficaz contra a Covid-19, para doentes com doenças graves.

Falando numa conferência de imprensa online a partir da sede da organização, em Genebra, Tedros Adhanom Ghebreyesus insistiu que, segundo os dados do ensaio patrocinado pela OMS, os medicamentos remdesivir e interferon não são eficazes na luta contra a Covid-19.

Remdesivir. Farmacêutica dona do medicamento critica OMS

Os resultados do estudo já tinham sido divulgados e foram mesmo questionados pela farmacêutica norte-americana Gilead, que disse parecerem “inconsistentes”, lembrando que outros ensaios validam o benefício do antiviral.

No entanto esta sexta-feira na conferência de imprensa os responsáveis da OMS assinalaram que os ensaios provisórios mostram que o  remdesivir e o interferon “têm pouco ou nenhum efeito na prevenção da morte por Covid-19 ou na redução do tempo no hospital”, com o diretor-geral a frisar que se tratou do maior ensaio já feito, envolvendo 13 mil pessoas de 500 hospitais em 30 países.

Nem hidroxicloroquina nem remdesivir. Estudo da OMS revela pouco impacto na mortalidade depois de tratamento

O diretor-geral lembrou na conferência de imprensa que em junho foi retirado do estudo a hidroxicloroquina e que em julho os pacientes também deixaram de tomar a combinação dos medicamentos de lopinavir e ritonavir.

O responsável máximo da OMS agradeceu aos participantes no estudo e disse esperar que os resultados completos sejam publicados em breve numa “importante revista científica”, acrescentando que o ensaio está a recrutar cerca de 2.000 doentes todos os meses e que irá avaliar outros tratamentos, incluindo anticorpos monoclonais e novos antivirais.