Portugal vai comprar um milhão de testes rápidos antigénio para detetar o novo coronavírus. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado adjunto da Saúde, António Lacerda Sales, durante a conferência de imprensa desta quarta-feira sobre a evolução da pandemia em Portugal.

Os testes, que permitem a deteção do SARS-CoV-2 em cerca de 30 minutos, vão passar a ser usados de forma mais alargada em Portugal a partir de 9 de novembro, sendo que a primeira tranche, cerca de 100 mil unidades, deverá chegar ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) durante a primeira semana do próximo mês.

Portugal vai beneficiar ainda do financiamento europeu, através da Cruz Vermelha Portuguesa, para fornecimento de testes rápidos, cuja primeira tranche de 100.000 testes está prevista na semana de novembro”, afirmou o secretário de Estado.

Sobre os testes, o Presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) afirmou que Portugal tem acompanhado o trabalho que tem sido feito sobre a testagem noutros países europeus, mas que, no caso dos testes rápidos antigénios, o país “está na linha da frente”.

Fernando de Almeida informou ainda que o INSA tem em curso um “estudo de comparabilidade entre os testes” e as suas respetivas estratégias de utilização e alertou que não se pode esquecer os testes que “têm vindo a ser utilizados” até agora.

Os testes “clássicos”, os chamados RT-PCR, são os que devem ser utilizados em “primeira linha”, uma vez que o que se pretende com os novos testes rápidos é “aumentar a capacidade de reação a um surto” devido à facilidade de utilização e deteção dos mesmos. No entanto, avisa o diretor do INSA, uma pessoa com resultado negativo num teste rápido pode ser novamente testada através de um RT-PCR, caso apresente “uma sintomatologia muito suspeita”.

“Estamos numa fase crítica da pandemia”

Ainda durante a conferência de imprensa, António Lacerda Sales admitiu que Portugal está numa fase crítica da pandemia. De acordo com o secretário de Estado a taxa de letalidade global da Covid-19 no país situa-se nos 1,9%, sendo que em pessoas com mais de 70 anos aumenta para 10.8%

Estamos numa fase crítica da pandemia e os portugueses, sem execeção, compreeenderão que se aos cidadãos é exigido um reforço da responsabilidade individual na defesa do nosso bem-estar coletivo ao Ministério da Saúde é exigido que continue a tomar decisões como tem feito desde o início [da pandemia]”, afirmou.  

Lacerda Sales garantiu que o Governo tem “feito tudo” o que está no seu alcance para reforçar o SNS e lembrou que, ao longo das últimas semanas, as medidas para combater a pandemia têm sido reforçadas e que tal reforço poderá ter continuidade caso os dados epidemiológicos assim o justifiquem.

Questionado sobre a possibilidade de serem tomadas novas medidas, o secretário de Estado remeteu tal decisão para o Conselho de Ministros agendado para o próximo sábado. No entanto, alertou que “poderá haver um aumento significativo de casos diários nos próximos tempos”.

Sobre infeções de SARS-CoV-2 verificadas entre profissionais de saúde, Lacerda Sales esclareceu que, desde o início da pandemia, há a registar 6.596 casos.

Do total de infetados, 800 são médicos, 1.801 enfermeiros, 1.655 assistentes operacionais, 166 assistentes técnicos, 249 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e 1.925 são de grupos profissionais diversos. Quase 70% dos infetados (4.617) já recuperaram da doença.

Portugal contabiliza 128.392 casos confirmados de infeção e 2.395 óbitos desde o início da pandemia. Nas últimas 24 horas, registaram-se 3.960 novos casos — o número mais elevado de sempre.