Duas instituições de ensino superior, várias escolas e uma instituição foram vandalizadas esta madrugada com mensagens racistas e xenófobas nas suas fachadas. Os alvos foram a Universidade Católica Portuguesa, o Instituto Universitário de Lisboa, a Escola Secundária Eça de Queirós, a Escola Secundária de Sacavém, a Escola Secundária António Damásio e o Centro de Acolhimento para Refugiados. As afrontas começaram a ser difundidas através da rede social twitter, esta manhã, por alunos das próprias escolas, que desencadearam uma corrente de denúncias.

Os responsáveis das entidades já vieram comentar os atos de difamação, repudiando o vandalismo. Em declarações à Rádio Observador, a Reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, considerou um ataque à instituição e aos seus valores, afirmando que as mensagens são “absolutamente inadmissíveis”.

Universidade Católica vandalizada com mensagens racistas. Reitora considera atos “inadmissíveis”

Entretanto a Reitora da Universidade Católica Portuguesa anunciou, em comunicado enviado aos alunos, que a universidade procedeu a uma denúncia junto do Ministério Público. Na nota Isabel Capeloa Gil justifica a decisão “Pelo conteúdo dos dizeres, este é um crime público”.

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O Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) foi outra das instituições de ensino superior alvo de vandalismo. Em comunicado, a associação de estudantes condenou os atos de ódio: “atos racistas não podem ser tolerados ou confundidos com liberdade de expressão, pois colocam em causa a existência e a dignidade humana”. Manifestaram ainda solidariedade para com “qualquer estudante que se tenha sentido diretamente visado pelo sucedido”.

Não é a primeira vez que algumas das escolas acordam com este tipo de mensagens nas paredes

A diretora do Agrupamento de Escolas Eça de Queirós, Maria Eugénia Coelho, mostrou repulsa pelas mensagens escritas na secundária. À Rádio Observador a docente disse que foram os próprios alunos que se dirigiram à direção para delatar o caso, com a iniciativa de “pintar sobre estas palavras de ódio”. É a segunda vez que a situação se repete na Eça de Queirós.

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A diretora da Escola Secundária António Damásio confirmou também as mensagens racistas escritas nas suas paredes, repudiando os atos e defendendo os direitos fundamentais de igualdade.

O Conselho Português para Refugiados afirmou igualmente que as suas instalações tinham sido vandalizadas. A organização publicou uma nota no Facebook onde se pode ler: “Após os atos de vandalismo com frases xenófobas e racistas nas paredes exteriores do Centro de Acolhimento para Refugiados, o Conselho Português para os Refugiados (CPR) reafirma o seu repúdio contra qualquer atitude de ódio e violência na sociedade portuguesa, prosseguindo a sua missão e trabalho na promoção e defesa dos Direitos Humanos”.

Na Escola Secundária de Sacavém, é a terceira vez que este tipo de mensagens tem de ser limpo das paredes. À Rádio Observador fonte da escola explica que as paredes foram pintadas de imediato de forma a que os alunos não ficassem expostos às mensagens.

Um símbolo comum

Em todas as fotografias há um elemento comum que “assina” as mensagens deixadas nas instituições. Dentro de uma circunferência está inscrito o símbolo grego “lambda”, a 11ª letra deste alfabeto e com equivalência ao número 30 no sistema numérico.

Esta insígnia tem sido utilizada por um grupo de extrema-direita, que se auto intitula de Movimento Identitário, e acredita que a cultura e territórios europeus pertencem, exclusivamente, a pessoas de descendência europeia.

Notícia atualizada às 18h40.