Chama-se Volup, é uma startup criada em Portugal, e quer levar a casa os pratos que habitualmente só é possível provar na mesa de um restaurante. “Os restaurantes bons querem fazer uma entrega personalizada, em condições, mas não têm hipóteses se não é com Uber Eats, Glovo ou aplicação própria. A minha intenção é entrar ali no meio, focado em restaurantes premium para ter uma aplicação única que os junte e que valorize a gastronomia”, explica ao Observador Álvaro Meyer.

Kanazawa, Essencial, Eleven, Terroir, Peixaria da Esquina, Tasca da Esquina, Solar dos Nunes, Via Graça ou O Frade são algumas das cozinhas que que vão estar disponíveis neste novo serviço.

Álvaro Meyer percebeu, desde cedo, que aliar a criatividade à capacidade de execução era uma combinação vencedora. Para perceber esta recente etapa do jovem de 25 anos nascido em Lisboa, de mãe espanhola e pai francês, é necessário recuar uma década, até à primeira vez em que uma ideia lhe trouxe rendimento.

“A minha mãe comprou-me três discos externos. Eu tinha um Mac, aprendi a reprogramá-los para conseguir usar, fiquei com um e os outros dois pus à venda no Segunda Mano que é uma espécie de OLX espanhol. Contactaram-me umas 50 pessoas e aumentei o negócio”, conta.

Álvaro montou o primeiro negócio aos 15 anos, a vender discos externos

Depois veio a crise e a necessidade de estabilizar as contas em casa levou-o a ingressar a equipa de um McDonald’s em Madrid. “Estive lá um ano como regular staff, depois fui promovido a gerente do restaurante – um dos mais novos de sempre da McDonald’s em Madrid. Estive lá um ano e meio a gerir. Foi difícil mas aprendi imenso. Estava a comandar mais de 30 pessoas, stocks, tive situações chatas, isto com 20 anos. Mas tenho esta filosofia de que na vida é preciso trabalhar.”

Balançou o que pode, entre a posição de gerente e a licenciatura em Finanças na faculdade, sem que nunca lhe faltassem ideias. “O meu sonho sempre foi ter o meu próprio negócio”, diz. Montou, com um amigo, uma agência na capital espanhola para ajudar estudantes estrangeiros que estariam para chegar em Erasmus.

“Disponibilizávamos um pacote no qual procurávamos um apartamento, íamos buscá-los ao aeroporto, entregávamos uma caixa com artigos básicos, entregávamos cartão de estudante, passe de autocarro, metro, cartão telefónico, um cartão de débito. Éramos a ajuda local.” Dois anos depois a empresa caiu, mas Álvaro já estava a concentrar-se numa outra ideia.

“No terceiro ano de faculdade fiz um estágio em Portugal, no Banco Popular, e foi na altura em que comecei um negócio de transportes TVDE com a minha própria frota”, acrescenta. Deixou a banca para trás, três meses depois, porque “trabalhar das nove às cinco só a pensar no fim de semana não é para mim”. Concentrou-se, mais uma vez, em aumentar a empresa e há um ano e meio que converteu a frota para transfers em hotéis e Airbnb. Mas, entretanto, a pandemia intrometeu-se.

Os restaurantes, as comissões e as mochilas isotérmicas

A história da Volup teve início quando Álvaro, em conversa com um chef, percebeu as limitações das gigantes das entregas. “Ele só se queixava dos serviços de entrega, da comissão que cobram”, conta, e isso abriu um espaço que ainda não estava explorado no mercado.

“O meu foco estava em salvar o negócio dos transfers mas surgiu isto, criámos a marca e foi aí que fui apertando com os restaurantes, contactei empresas para fazer a aplicação e tudo se tornou mais real.”

Os testes à app Volup vão começar no início de dezembro

Pensada para chegar aos telefones no início de dezembro, a aplicação funciona da mesma forma que as concorrentes – escolha, pedido, entrega –, mas com diferenças no serviço. Os estafetas (aqui denominados navigators), recebem uma formação específica, as entregas são feitas tanto de mota como de carro, o que permite cobrir distâncias maiores, mantendo a qualidade da entrega, diz Álvaro, e a principal inovação está nas mochilas isotérmicas, especialmente produzidas por uma empresa portuguesa.

“Comprei uma mochila de estafeta e percebi que não tinha grande qualidade isotérmica, nem protege de chuva, por exemplo. Contactei uma empresa que faz tudo o que são materiais isotérmicos para camiões de refrigeração e outras coisas. Falámos e, apesar de nunca terem feito nada assim, conseguiram produzir as mochilas. Fizemos testes com congelados na parte de baixo da mochila e comida saída do forno em cima. Durante 45 minutos só perdeu 20 graus”, explica ao Observador.

À frente da equipa, além de Álvaro, está José Maria D’Orey, responsável pela comunicação, Tiago Seguin-Schreck, responsável de operações e Graça Sardinha, responsável pelos navigators. “É uma equipa jovem com muito para dar”, acrescenta. Sobre o modelo de negócio, Álvaro admite que “é arriscado”, mas acredita no potencial e diz ser a altura certa.

“Estou a financiar isto tudo sozinho e a minha prioridade é validar o modelo de negócio. Há aqui duas bases: a primeira é os restaurantes precisarem e estarem interessados em trabalhar connosco. A parte que falta perceber é se as pessoas vão encomendar este tipo de restaurantes em formato delivery. Óbvio que qualquer startup tem risco, mas acredito que é uma boa ideia e que era a altura certa para arriscar.”

Os restaurantes que aderirem nesta fase inicial vão pagar à Volup uma comissão de 18% sobre as vendas. Posteriormente, este serviço cobrará uma comissão que pode variar entre 20 e 25%, dependendo do volume de negócios que tenham. Quanto aos consumidores, terão de pagar uma taxa de entrega de 4,90 euros(oferecida neste mês de dezembro), mas o fundador este montante servirá para pagar, na totalidade, aos navigators. “Tendo em conta que são pessoas com uma formação superior e premium, achamos justo que eles recebam a totalidade da taxa de entrega”, diz ao Observador.

Nesta fase inicial, o serviço da Volup vai estar disponível em Lisboa, com os primeiros testes a acontecerem na primeira semana de dezembro, e com a possibilidade de incluir também Odivelas. O plano é expandir depois a operação a Oeiras, Estoril e Cascais até ao Natal.