São quatro dias de trabalho por semana que sabem a cinco no final do mês. Um teste realizado na Unilever da Nova Zelândia vai reduzir a semana de trabalho dos seus colaboradores, de cinco para quatro dias úteis, sem alterar ordenados. O objetivo é verificar se esta redução pode trazer uma “mudança material na forma como os funcionários trabalham”, segundo Nick Bangs, diretor da empresa.

A decisão surge no seguimento da alteração de algumas práticas de trabalho devido à Covid-19. Para Bangs, “as velhas práticas de trabalho estão desatualizadas e já não servem o nosso propósito”, disse citado pela revista Fortune.

A experiência terá a duração de um ano e inicia-se já este mês. No total, serão 81 os trabalhadores que irão participar e caso os resultados sejam considerados benéficos, a medida poderá ser alargada para os 155.000 funcionários da Unilever espalhados por todo o mundo.

“Manter a competitividade, aumentando a produtividade e melhorando o bem-estar estão no centro da semana de quatro dias”, afirmou o diretor da empresa. “Trata-se de remover barreiras que limitam a criação de valor e nos atrasam”.

Os resultados deste teste serão analisados pela University of Technology Business School de Sydney em colaboração com a Unilever, explorando a possibilidade de alargar a medida a uma escala maior.

De acordo com o diretor da empresa na Nova Zelândia, a inspiração para experimentar esta modalidade laboral vem também de uma outra originária do país, a Perpetual Guardian, que em 2018 reduziu a semana para quatro dias de trabalho e verificou um aumento de 20% na produtividade, bem como uma redução nos níveis de stress e maior satisfação com o emprego por parte dos seus colaboradores.

A primeira-ministra neozelandesa, Jacinta Arden, tinha igualmente apelado a que as empresas considerassem reduzir a semana laboral para quatro dias. “Encorajo as pessoas a pensar nisso, caso sejam empregadores e estejam na posição de o fazer”, disse, em maio, segundo a Fortune.

A medida já foi experimentada por outros gigantes, como é o caso da Microsoft no Japão, que em 2019 registou um aumento de 40% na produtividade e a eficiência melhorou noutras áreas, como é o caso da queda de 23% em custos de eletricidade.