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A conta do Instagram de José Mourinho já era muito conhecida e ainda mais se notabilizou esta semana, depois de se transformar num centro de notícias. Foi inadvertido mas foi: pouco minutos antes do anúncio oficial por parte da Premier League de que tinha ganhou o prémio de Melhor Treinador do mês de novembro, o português teve um lapso de timing e colocou na sua conta oficial um vídeo onde surgia com todos os elementos da sua equipa técnica, dos adjuntos aos observadores, passando pelos responsáveis pela parte física, a agradecer à organização o troféu referente a um mês onde ganhou três jogos e teve um nulo com o Chelsea. Começou por ser uma distinção oficiosa, tornou-se pouco depois oficial. E já com mais uma vitória frente ao Arsenal a seguir a isso.

Os 101 segundos entre Mourinho e Kane num documentário que prometem ser o filme de uma época para o Tottenham

A derrota frente ao Antuérpia numa das exibições menos conseguidas da época conseguiu ter impacto positivo na caminhada do Tottenham na presente temporada, algo reforçado pelos resultados alcançados frente a adversários diretos no Campeonato enquanto assegurou a passagem no primeiro lugar da fase de grupos da Liga Europa. E não foi só ganhar mais jogos, foi também ganhar mais opções além das habituais na equipa titular como aconteceu com Lo Celso, marcador do segundo golo que deu a recente vitória frente aos belgas, ou Harry Winks, que na última época era um indiscutível e esta época tem estado mais vezes a sair do banco. “Não posso ter todo o plantel feliz. Acredito que os jogadores estão felizes porque estamos a vencer mas não o estão porque não estão a jogar. Winks direto para o balneário? Disse aos jogadores para irem tomar banho. Alguns preferiram ficar, apesar do frio, e continuar a participar no jogo a partir do banco. Winks decidiu ir, fico feliz por isso, pois fui eu quem lhe disse que o fizesse”, explicou o português a propósito de um dos temas paralelos que se abriram na quinta-feira.

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Próximo objetivo? Manter a liderança da Premier League frente ao Crystal Palace apenas quatro dias antes do jogo mais aguardado em Anfield Road com o Liverpool (que não contará com Diogo Jota, que estará ausente por dois meses devido a uma lesão no joelho). E muito do sucesso contra um dos treinadores mais respeitado por Mourinho em Inglaterra, Roy Hodgson, passava por dar continuidade à solidez defensiva que foi estudada ao detalhe pelo Telegraph este domingo não só com as ações dos quatros jogadores do setor recuado mas também de Sissoko, Höjberg e o próprio Son, um jogador cada vez mais evoluído no plano tático a par de Harry Kane – sem que com isso perdessem a eficácia ofensiva, que está mais apurada do que nunca neste arranque de temporada.

Com dois tipos de estratégia distintos, primeiro à procura da vantagem em ataque continuado e depois em busca do golo da confirmação em transições, o Tottenham, que conquistara 16 dos últimos 18 pontos, esteve em vantagem desde a primeira parte mas deu em demasia a iniciativa ao Crystal Palace, que acabaria por empatar num lance de bola parada em que Lloris falhou. 485 minutos depois, os spurs voltaram a sofrer golos na Premier League e foi isso que anulou aquele que seria um recorde do clube em mais uma noite em que Harry Kane confirmou o registo sem paralelo desde que Mourinho assumiu o comando mas que não teve o prémio final desejado também por culpa da trave e de Victor Guaita, que foi gigante nos últimos minutos a segurar o empate a uma bola.

Com a equipa que tem sido habitualmente titular de início, confirmando de novo Bergwijn à frente de Lucas Moura na direita do ataque, o Tottenham entrou apostado em ir à procura do resultado em vez de esperar pelo mesmo – como tantas vezes acontecia no início de Mourinho nos spurs. Son, aproveitando uma diagonal com passe longo de Alderweireld, deixou a primeira primeira ameaça ainda antes dos dez minutos iniciais à baliza de Vicente Guaita, que seria o grande protagonista do arranque do encontro ao impedir o golo de Ndombelé, após cruzamento de Aurier, e de Kane, na sequência de um canto. O Crystal Palace conseguia colocar algumas transições, com Zaha a ser o principal protagonista e Benteke a ter um remate perigoso para Lloris, mas eram os visitantes que tinham o domínio e inauguraram mesmo o marcador, com Kane a arriscar a meia distância e Guaita a não sair totalmente bem da fotografia (23′). O intervalo chegaria com essa vantagem mínima e um grande susto à mistura para Lloria, com um grande remate de Eberechi Eze em cima do minuto 45 a bater no poste.

No segundo tempo, sem mexer em jogadores, o Tottenham viu o Crystal Palace entrar melhor e aproveitou para tentar fazer do próprio veneno aos visitantes, recuando um pouco as linhas para tentar apanhar em contra-ataque a equipa contrária. O próprio Mourinho, que passou grande parte do encontro até aí sentado, dava sinais de alguma impaciência no banco numa fase onde a equipa perdeu mais vezes a bola na zona do meio-campo quando devia ter mais posse para acalmar o ritmo que o jogo conhecia. Höjberg, num remate de meia distância rasteiro que saiu a rasar o poste de Guaita, deixou um sinal que por alguns minutos recolocou o conjunto visitado menos balanceado na frente mas seria essa a última imagem, com Schlupp a aproveitar um erro crasso de Lloris após livre de Eberechi Eze para fazer o empate a nove minutos do final. Só nesse momento o Tottenham voltou a agarrar no encontro e com oportunidades flagrantes para marcar, com Ben Davies a acertar na trave após cruzamento longo, Guaita a evitar depois por instinto a recarga de Aurier (87′) e, já nos descontos, a ter a defesa do jogo após livre direto de Eric Dier que levou ainda a bola a bater na trave antes de sair para canto (90+2′).