Luís Marques Mendes não tem dúvidas: a presidência Portuguesa da União Europeia “não começa bem”. O antigo líder social-democrata considera que o arranque desta presidência começa manchado pelo caso que envolve o agora procurador europeu José Guerra e fala mesmo “em mentiras”.

“A palavra mentira é dura e desagradável. Mas não há outra forma de o dizer. O Estado português mentiu à UE. Uma vergonha”, criticou Marques Mendes no seu habitual espaço de comentário, na SIC.

Depois de dissecar todas as incongruências do documento enviado pelos serviços do Ministério da Justiça para as instituições europeias, Marques Mendes apontou diretamente o dedo a Francisca Van Dunem.

“A ministra da Justiça esteve mal. Para quem, como eu, a tem em boa conta, foi uma desilusão. Primeiro, em vez de punir a mentira, está a desculpá-la. Depois, num Ministério que deve ser da legalidade está a pactuar com a falsidade. Finalmente, para quem é magistrada está a dar um mau exemplo e a minar a imagem dos magistrados. Assim, pergunto: perante estes “lapsos”, a Ministra já demitiu o responsável? Já instaurou algum processo disciplinar? E o Ministério Público já abriu  inquérito para investigar a falsificação de um documento oficial?”, desafiou Marques Mendes.

Caso do procurador europeu é um “empolamento profundamente injusto”, diz ministra

“Vacinação? Há um exagero de propaganda da parte do Governo”

O comentador falou ainda da primeira fase de vacinação contra a Covid-19, reconhecendo que está a correr bem, mas deixou críticas àquilo que diz ser a excessiva sede de protagonismo do Governo.

“Ministra e secretário de Estado exageraram nas presenças em hospitais e televisões. Uma vez, duas vezes, percebe-se. Mais do que isso é overdose, ridículo e provinciano”, criticou.

Marques Mendes questionou ainda o facto de não existir ainda data para vacinar os profissionais de saúde do sector privado e social. “Será que estes profissionais têm lepra? Eles não estão também na linha da frente em contacto com doentes? Não é suposto o Ministério da Saúde ser de toda a saúde, pública, privada e social?”, insistiu.

Moedas e Rangel são apostas de Marques Mendes

O antigo presidente do PSD falou ainda do grande desafio de Rui Rio para estas autárquicas e lançou Carlos Moedas para Lisboa e Paulo Rangel para o Porto, uma hipótese que, tal como o Observador já escreveu, continua em cima da mesa.

Marques Mendes falou ainda das perspetivas de haver uma crise política no horizonte. “Rui Rio pensa que sim. António Costa acha que não. Eu penso que é possível mas não me parece provável. O PCP pode muito bem voltar a viabilizar o Orçamento. Se falhar as autárquicas, porque tem medo de ser penalizado se houver eleições antecipadas. Se lhe correrem bem as autárquicas, porque fica com maior margem de manobra. E do lado da oposição ainda não se vê alternativa”, lançou o comentador.