Francisco Rodrigues dos Santos vai encontrar-se com Assunção Cristas até ao final do mês de janeiro para perceber se a sua antecessora tem ou não vontade de abraçar uma nova candidatura à Câmara Municipal de Lisboa e em que termos. As perspetivas não são, de parte a parte, animadoras.

Isto por que há muitas circunstâncias que o líder do CDS não controla. Francisco Rodrigues dos Santos quer fazer uma coligação com o PSD para tentar derrotar Fernando Medina. Ora, será difícil (para não dizer impossível) convencer Rui Rio a abdicar do lugar de cabeça de lista numa eventual coligação com CDS e permitir que seja Assunção Cristas (com quem Rui Rio nunca se deu particularmente bem) a encabeçar essa aliança.

Esse cenário seria muito pouco sedutor para Assunção Cristas, que, já em maio, tinha confidenciado aos mais próximos que não estaria disponível para repetir o desafio de 2017 sem garantias mínimas de sucesso. Ser número dois numa coligação com o PSD não é, à partida e em teoria, aliciante para a antiga líder do CDS.

Francisco Rodrigues dos Santos entenderia se Assunção Cristas declinasse essa solução e o próprio não a deverá colocar em cima da mesa. Apesar das divergências, Cristas foi responsável por um resultado histórico para o partido em Lisboa, quando conseguiu ser a segunda força política mais votada na capital. Só mesmo Krus Abecassis, que foi presidente da autarquia, conseguiu melhor. Ser número dois numa coligação com o PSD seria uma desgraduação para a antiga líder centrista.

Ainda assim, não há portas fechadas. O líder do CDS quer perceber exatamente qual é a disponibilidade de Assunção Cristas, o que pretende fazer e até onde admite ir antes de tomar qualquer decisão. A partir daí, analisará todas as alternativas que tem e começará a discutir com Rui Rio eventuais soluções para defrontar Fernando Medina.

As opções de Francisco Rodrigues dos Santos não se esgotam com Assunção Cristas. No núcleo duro do CDS, a perspetiva que existe é de que a antiga líder do CDS não é o único ativo do partido ou próximo do partido em Lisboa e, apesar do grande capital político de Cristas, seria um erro reduzir a discussão sobre qualquer candidatura autárquica a Lisboa à questão sobre se Cristas avança ou não.

O encontro com Assunção Cristas, aliás, insere-se numa série de reuniões que Francisco Rodrigues dos Santos quer ter com figuras do universo democrata-cristão. Além de Cristas, o líder do CDS vai chamar ao Caldas os antecessores Adria­no Moreira, Manuel Monteiro, Paulo Portas, José Ribeiro e Castro, e outros quadros do partido como Adolfo Mesquita Nunes, João Almeida, Telmo Correia, Cecília Meireles, Nuno Melo, Diogo Feio e Francisco Mendes da Silva. A ideia é colar os cacos do partido, discutir soluções para conter a sangria do CDS. As autárquicas, em particular a corrida à Câmara de Lisboa, serão, naturalmente, tema desses encontros.

Depois será preciso negociar com o PSD. Rui Rio tem mantido a questão no segredo dos deuses e todos os nomes que circulam como putativos candidatos à Câmara Municipal de Lisboa são isso mesmo: hipóteses.

Como é o caso de Carlos Moedas. O ex-comissário europeia foi apontado com insistência à corrida autárquica, mas, tal como escreveu o Observador na quarta-feira, Moedas não vai ser candidato. Houve conversas informais e muitos incentivos para avançar, mas o social-democrata está apostado em continuar na Gulbenkian e  em consolidar a sua posição como administrador da fundação. A decisão de avançar para Lisboa teria um grande custo pessoal para o antigo comissário que está apostado em fazer outro caminho paralelo à política.

Carlos Moedas não vai ser candidato à Câmara de Lisboa