Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Carlos Moedas não vai ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa. O ex-comissário europeu é atualmente administrador executivo da Fundação Gulbenkian, um projeto que abraçou com empenho depois de cinco anos na Europa, e uma candidatura neste momento não entra nos planos do social-democrata.

O nome do antigo secretário de Estado-adjunto de Pedro Passos Coelho circula há muito nos bastidores do partido. Carlos Moedas foi sempre visto como um nome sólido, mesmo junto da direção de Rui Rio, e alguém capaz de derrotar Fernando Medina — que o núcleo duro social-democrata entende como perfeitamente batível.

Ora, se já existiam, os rumores sobre uma eventual candidatura de Carlos Moedas dispararam depois de Luís Marques Mendes ter sugerido a hipótese no último domingo, no seu habitual espaço de comentário, na SIC. O Observador sabe que as conversas com e sobre Moedas ganharam força e que o ex-comissário recebeu muitos incentivos para avançar.

As conversas foram, ainda assim, sempre informais. Não houve qualquer contacto entre a direção de Rui Rio e Carlos Moedas no sentido de desafiar formalmente o social-democrata a avançar. O processo de escolha de candidatos, em particular em Lisboa e no Porto, está a ser gerido com pinças na São Caetano e ninguém quer bater a portas que estão fechadas, sob o risco acumular negas ainda antes de ter um candidato para apresentar.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Ao contrário do que aconteceu com Paulo Rangel, por exemplo. Ainda antes de o ano terminar, Rui Rio falou efetivamente com Paulo Rangel sobre a hipótese de o eurodeputado avançar com uma candidatura à Câmara Municipal do Porto, ainda que tenha sido uma conversa meramente exploratória e descomprometida. Não houve, nem era expectável que houvesse, qualquer decisão definitiva. E assim se mantém até hoje.

Já o caso de Carlos Moedas é diferente. O social-democrata está apostado em continuar na Gulbenkian e a consolidar a sua posição como administrador da fundação. A decisão de avançar para Lisboa teria um grande custo pessoal para o antigo comissário que está apostado em fazer outro caminho paralelo à política.

O ex-secretário de Estado de Pedro Passos Coelho não se quer pôr fora da política, nem ser visto como uma carta fora do baralho no partido. Mas este não será o melhor momento para aceitar um desafio como tentar bater Fernando Medina em Lisboa.

Para Moedas, sabe o Observador, uma decisão dessas seria, a todos os níveis, irracional. Uma eventual candidatura é, neste momento, altamente improvável, para dizer o mínimo. Na política não há impossíveis, mas Moedas está fora das soluções para desafiar Fernando Medina.

Na última entrevista que deu, à Antena 1, Rui Rio assumiu pela primeira vez desde que é líder do PSD a pretensão de ganhar as Câmaras de Lisboa e Porto. Se no caso da capital, o líder social-democrata disse que “Fernando Medina não é imbatível” e que o PSD “tem de ir para ganhar”, no Porto, Rui Rio não hesitou em relacionar o caso Selminho com as renovadas ambições do PSD. Resta saber se terá candidatos à altura do desafio.

Rangel sondado para o Porto. Santana mantém tabu