Trezentos dos mais de 11 mil camiões que ficaram retidos em Espanha devido ao nevão provocado pela tempestade Filomena começaram este domingo a regressar “de forma ordenada” às estradas, indicou a Direção-Geral de Trânsito.

Segundo aquele organismo, cerca de 11.300 camiões ficaram retidos em 127 parques devido ao nevão que caiu de sexta-feira para sábado. Os primeiros camiões a regressar às estradas estavam parados na zona de Miranda de Ebro, em Burgos, e poderão agora prosseguir viagem para Portugal, através da AP – 6, pela Galiza.

A Direção-Geral de Trânsito refere ainda que a partida dos camiões está a ser feita “pouco a pouco, pois, embora as autoestradas sejam boas”, há que assegurar que estão transitáveis. O uso de correntes é ainda obrigatório, recorda o organismo espanhol, que alerta também para a possibilidade de se voltar a formar gelo nas estradas devido às previsão de baixa de temperatura.

Em Madrid, que continua hoje coberta por um manto espesso de neve que paralisou toda a cidade, a presidente da comunidade autónoma, Isabel Diaz Ayuso, afirmou que a prioridade das autoridades é garantir o abastecimento dos hospitais e limpar as estradas secundárias, assim como facilitar o acesso aos supermercados.

As autoridades querem “assegurar o acesso e fornecimentos de hospitais”, tanto de vacinas como de alimentos, ou de instrumentos e materiais necessários, nomeadamente oxigénio, indicou, em declarações aos jornalistas no final de uma reunião com a Proteção Civil.  A presidente da comunidade autónoma de Madrid referiu também que uma das principais preocupações agora é a formação de gelo, apelando à colaboração dos cidadãos para remover a neve das portas e rampas de acesso a garagens.

As escolas vão estar fechadas em Madrid na segunda e na terça-feira e Isabel Diaz Ayuso já disse que vai ser avaliada no início da semana a possibilidade de vários serviços públicos se manterem encerrados mais alguns dias. Vários supermercados estiveram encerrados no fim de semana, o que levou à formação de longas filas no exterior dos estabelecimentos que conseguiram abrir.

E, tal como já tinha acontecido nos primeiros dias de confinamento devido à pandemia de covid-19, em março de 2020, as prateleiras de alguns estabelecimentos voltaram a ficar vazias de alguns produtos básicos, como carne e fruta, e, uma vez mais, o papel higiénico esgotou. O maior nevão que atingiu Madrid desde 1971 deixou 33 litros de neve por metro quadrado em 24 horas.

Segundo as autoridades regionais, Madrid inicia hoje uma segunda fase da “muito complexa” tempestade Filomena, na qual o gelo vai dificultar o regresso à normalidade, estando previstas temperaturas negativas que podem ir até aos -10º Celsius, nos próximos dias.