O atual secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou junto das Nações Unidas a sua candidatura para um segundo mandato de cinco anos para o período de 2022-2026, avançou esta segunda-feira o seu porta-voz, Stéphane Dujarric.

Guterres indicou à presidência da Assembleia-Geral e do Conselho de Segurança estar “disponível para um segundo mandato como secretário-geral das Nações Unidas, se essa for a vontade dos Estados-membros”, afirmou o porta-voz durante uma conferência de imprensa.

O secretário-geral da ONU já tinha dado indicações aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, no último domingo, que pretendia dar seguimento a um segundo mandato de cinco anos. Guterres terá esperado pelo resultado das eleições presidenciais nos EUA, de novembro, para tomar esta decisão, ao que dá conta a Bloomberg.

A administração Trump entrou várias vezes em confronto com a ONU e as suas organizações, renunciando mesmo à Organização Mundial da Saúde (OMS) e irritando os membros do Conselho de Segurança quando se retirou unilateralmente e tentou acabar com o acordo nuclear multinacional assinado em 2015 com o Irão.

O Presidente eleito, Joe Biden, prometeu, no entanto, reverter a abordagem dos Estados Unidos, regressando à OMS e ao acordo com o Irão e juntando novamente ao acordo de Paris sobre as alterações climáticas.

Durante o seu mandato, Guterres fez da questão das alterações climáticas a sua prioridade, pressionando os países a aumentar os compromissos para reduzir as emissões de carbono. A administração de Biden sinalizou que o clima será uma das principais prioridades e a sua escolha para embaixadora na ONU, Linda Thomas-Greenfield, é uma diplomata experiente em quatro continentes.

Os últimos secretários-gerais da ONU cumpriram sempre dois mandatos, pelo que os diplomatas esperam que o chamado P5 (os membros permanentes do Conselho de Segurança) – Rússia, EUA, Reino Unido, China e França – apoiem a sua candidatura à reeleição.

Guterres serve como nono secretário-geral da Organização das Nações Unidas desde 2017. O atual mandato termina no final de 2021.

O processo de nomeação e os nomes que já ocuparam o cargo de secretário-geral

A disponibilidade de António Guterres para cumprir um segundo mandato de cinco anos como secretário-geral da ONU foi esta terça-feira confirmada e em 75 anos de vida das Nações Unidas apenas o egípcio Boutros Boutros-Ghali não foi reconduzido no cargo.

Guterres, ex-primeiro-ministro português e ex-Alto Comissário da ONU para os Refugiados, foi aclamado pelos 193 Estados-membros da Assembleia-Geral para o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) a 13 de outubro de 2016, após uma importante e determinante recomendação do Conselho de Segurança adotada a 6 de outubro.

Em janeiro de 2017, Guterres, o primeiro português a alcançar um cargo desta dimensão mundial, tornava-se no nono secretário-geral da ONU para um mandato de cinco anos, até 31 de dezembro de 2021.

A intenção também foi formalizada junto do presidente do Conselho de Segurança, cuja presidência rotativa é assegurada este mês pela Tunísia.

O secretário-geral é nomeado pela Assembleia-Geral, sob recomendação do Conselho de Segurança.

A seleção (ou neste caso recondução) do secretário-geral está, portanto, sujeita ao veto de qualquer um dos cinco Estados-membros permanentes do Conselho de Segurança (os únicos que têm esse direito).

O secretário-geral “é um símbolo dos ideais das Nações Unidas” e “um porta-voz dos interesses dos povos do mundo, em particular dos pobres e vulneráveis”, segundo a definição publicada pela própria organização na sua página na Internet.

A par do ex-primeiro-ministro português, apenas outros oito nomes (todos homens) ocuparam este cargo ao longo das mais de sete décadas de existência das Nações Unidas.

Embora tecnicamente não exista um limite para o número de mandatos de cinco anos que um secretário-geral pode cumprir, nenhum dos responsáveis ocupou o cargo, até à data, por mais de dois mandatos e apenas um não foi reconduzido, de acordo com a informação disponibilizada pela organização.

Os antecessores de António Guterres foram:

  1. Ban Ki-moon (Coreia do Sul), foi secretário-geral da ONU entre janeiro de 2007 e dezembro de 2016.
  2. Kofi A. Annan (Gana), ocupou o cargo de janeiro de 1997 a dezembro de 2006.
  3. Boutros Boutros-Ghali (Egito), foi secretário-geral da ONU entre janeiro de 1992 e dezembro de 1996.
  4. Javier Pérez de Cuéllar (Peru), ocupou o cargo de janeiro de 1982 a dezembro de 1991.
  5. Kurt Waldheim (Áustria), assumiu o cargo entre janeiro de 1972 e dezembro de 1981.
  6. U Thant (antiga Birmânia, atualmente Myanmar), ocupou o cargo em novembro de 1961, quando foi nomeado secretário-geral interino (foi formalmente nomeado secretário-geral em novembro de 1962), até dezembro de 1971.
  7. Dag Hammarskjöld (Suécia), ocupou o cargo entre abril de 1953 e setembro de 1961, mês em que morreu num acidente aéreo em África.
  8. Trygve Lie (Noruega), esteve no cargo de secretário-geral da ONU entre fevereiro de 1946 até à sua renúncia em novembro de 1952.

Notícia atualizada às 23h06 com mais informações sobre o processo de eleição do secretário-geral da ONU