A Hyundai deverá ter que substituir as baterias dos Kauai eléctricos – modelo comercialmente designado “Kona” nos restantes mercados onde o crossover é vendido –, produzidos entre Setembro de 2017 e Março de 2020. A informação foi avançada pela imprensa sul-coreana, prevendo-se iminente uma chamada às oficinas de dezenas de milhares de unidades. Até agora, foram comercializados cerca de 77.000 Kauai EV.

Embora o Kauai eléctrico tenha começado a ser produzido em solo europeu, na República Checa, em Março de 2020, a maioria dos modelos eléctricos da Hyundai é fabricada na Coreia do Sul, com as unidades destinadas a Portugal a serem originárias deste país asiático. Mas todas elas recorrem a baterias montadas com células produzidas pela também sul-coreana LG Chem.

A dimensão dos “estragos” que este recall acarretará ainda está por apurar. Primeiro, porque há um desentendimento em relação a quem deve pagar a conta. Segundo, porque ainda não foi negada a hipótese de o Ioniq também ter de ser intervencionado, o que alargaria o número de baterias a substituir para mais de 100.000 unidades.

Quanto ao diferendo sobre a “culpa” desta situação, explica-se por a posição da Hyundai [na Coreia do Sul] assentar em responsabilizar o fabricante dos acumuladores. Fontes da marca sustentam que, se o problema reside na bateria, então deve ser o fabricante desta a arcar com a maior parte dos custos da respectiva substituição. A LG Chem, outra empresa sul-coreana, alegadamente não concorda com os termos da proposta enviada pela Hyundai às entidades competentes – documento em que o construtor automóvel propõe que seja o fornecedor a suportar até dois terços do custo total da operação. As estimativas apontam para números avultados: fala-se em 1,8 mil milhões de dólares de uma intervenção limitada à Coreia e em 540 milhões de dólares afectos apenas à reparação dos Kauai.

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O Observador contactou o importador da Hyundai para Portugal para esclarecer o que podem esperar os clientes portugueses que adquiriram veículos eléctricos da marca. A informação que nos foi transmitida é que, embora não tenham sido registados casos na Europa, em Portugal já está em curso um recall “preventivo”. A operação iniciou-se há dois meses e visará 698 unidades, apenas Kauai, a quem é realizada “uma actualização de software”. Todas estas viaturas foram importadas da Coreia do Sul e, ainda de acordo com o representante da marca, “só em 1% dos casos é necessário substituir alguns módulos ou, até mesmo, a bateria completa”.

Informação actualizada a 22 de Fevereiro, com a indicação de que, em Portugal, apenas o Kauai será alvo de recall.