O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apelou à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) para apressar o processo de adesão de Kiev à Aliança Atlântica, numa altura em que a tensão com a Rússia tem vindo a escalar, sobretudo desde que Moscovo enviou tropas para vários pontos da fronteira com a Ucrânia.

O apelo de Kiev o foi feito numa conversa telefónica entre Zelenksy e o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, na terça-feira, com o Chefe de Estado ucraniano a sublinhar a necessidade de conter as ambições regionais de Moscovo.

“A NATO é a única forma de acabar com a guerra no Donbass [no Leste da Ucrânia]. O Plano de Ação para a Adesão da Ucrânia seria um sinal real à Rússia”, disse Zelensky a Stoltenberg, segundo a Reuters, que cita um excerto da conversa divulgado por Kiev.

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O Plano de Ação para a Adesão a que Zelensky se refere diz respeito a um programa da NATO destinado aos candidatos a membros da organização, de forma a que estes se preparem para entrar na Aliança Atlântica e tenham linhas de orientação e aconselhamento para cumprirem os requisitos necessários.

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Após o telefonema, o secretário-geral da NATO recorreu ao Twitter para manifestar apoio à Ucrânia perante as ameaças da Rússia e reforçou a importância da parceria.

“Telefonei ao Presidente Zelensky para expressar preocupação em relação às atividades militares da Rússia na Ucrânia e nos seus arredores, bem como as contínua violações do cessar-fogo. Continuamos comprometidos com a nossa parceria estreita”, afirmou Stoltenberg.

No mesmo dia, acrescenta o The Guardian, o Presidente ucraniano ligou também ao primeiro-canadiano, Justin Trudeau, tendo na segunda-feira passada telefonado ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. Na semana passada, Zelensky já tinha conversado com o Presidente norte-americano Joe Biden.

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A escalada de tensão na fronteira com a Ucrânia já tinha levado os membros da NATO a debaterem o assunto na quinta-feira passada, e a União Europeia manifestou publicamente a sua preocupação com as movimentações militares russas. Quanto à adesão de Kiev, no entanto, os membros da Aliança Atlântica têm insistido que a Ucrânia deve estar focada nas suas reformas internas e em desenvolver as suas capacidades de defesa em sintonia com os padrões da NATO.

Questionada sobre a possibilidade de a Ucrânia vir a integrar a Aliança atlântica, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, referiu que a administração Biden está em conversações com Kiev, mas sublinhou que a decisão cabe aos membros da NATO.

Desde o final de março, a tensão tem vindo a escalar substancialmente entre a Ucrânia e a Rússia, tendo Moscovo enviado milhares de soldados e veículos militares para vários pontos da fronteira entre os dois países.

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O Kremlin, no entanto, garante que as suas movimentações militares não constituem qualquer ameaça e esta quarta-feira, através do seu porta-voz, Dmitri Peskov, reiterou que as tropas vão continuar no mesmo sítio enquanto Moscovo assim o entender.

Quanto à possível adesão da Ucrânia à NATO, a Rússia tem alertado que tal constituiria uma ameaça à sua segurança e tem vindo a alertar para as consequências de uma aproximação do Ocidente às suas fronteiras.

Desde que a Rússia invadiu e anexou a Crimeia em 2014, o leste ucraniano transformou-se numa zona de conflito entre as forças de segurança ucranianas e separatistas pró-russos, com Kiev e o Ocidente a acusarem Moscovo de apoiar os rebeldes, acusação que a Rússia rejeita.

Os dois lados do conflito chegaram a um acordo para um cessar-fogo em 2015, com mediação da União Europeia, mas o mesmo tem sido violado sistematicamente. Desde o início do conflito, pelo menos 13 mil pessoas morreram.