Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O que é que acontece quando um membro da família real britânica morre? A pergunta é pertinente e a resposta complexa. No caso do duque de Edimburgo, marido de Isabel II, que morreu esta sexta-feira de manhã, os trâmites já estavam prontos a ser acionados. Há muito que tudo era preparado para reagir instantaneamente à morte do príncipe Filipe — o plano dá pelo nome de Operação Forth Bridge e define, com o contributo do próprio duque, todos os pormenores sobre o que fazer agora.

Como em vários outros aspetos, a transparência para com o público nunca é total. Ainda assim, são vários os protocolos que se conhecem como parte deste plano, batizado com o nome de uma ponte real da capital escocesa, que era também o ducado do príncipe. De acordo com os mesmos, o primeiro-ministro deve ser informado, de imediato, da morte do duque através do chefe da casa real. Em seguida, a rainha terá dado indicações quanto ao comunicado enviado, em primeiro lugar, à agência Press Association e à BBC.

Funeral Of The Countess Mountbatten Of Burma

Isabel II, no funeral da Condessa Mountbatten de Burma, em 2017 © Getty Images

O luto da rainha é outro dos processos oficiais automaticamente acionados com a morte do duque de Edimburgo. O luto deve ter a duração de oito dias e durante esse tempo o Governo britânico não poderá legislar. Mas existem ainda mais 30 dias de luto adicionais, ao fim dos quais Isabel II deverá retomar a agenda de compromissos oficiais. Por todo o Reino Unido, as bandeiras já estão a meia haste, incluindo a do Palácio de Buckingham. Mas os protocolos ditam regras bem mais específicas. Na televisão, pivôs e apresentações devem vestir-se preto de forma a expressar respeito pela perda da nação.

O funeral do duque de Edimburgo: o que muda com a pandemia?

O funeral será responsabilidade direta do chefe da casa real e ex-diretor do MI5, os serviços secretos britânicos, Andrew Parker. Enquanto isso, caberá ao tenente-coronel Michael Vernon coordenar a equipa constituída em Buckingham para tratar dos aspetos práticos da cerimónia fúnebre. Ao lado da rainha estará Edward Young, o seu secretário privado e conselheiro sénior.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Há muito que se sabe que Filipe fez questão de ter um papel ativo na preparação do seu próprio funeral. Contudo, o marido de Isabel II sempre recusou eventos aparatosos, preferindo que tudo se desenrolasse de forma mais reservado, longe das imagens a que o mundo assistiu em 2002, por exemplo, aquando da morte da rainha-mãe, altura em que centenas de milhares de pessoas assistiram ao seu cortejo fúnebre. A tradição de ter o corpo em câmara ardente em Westminster, também não se irá cumprir, por desejo expresso do duque.

Queen Mother Funeral

O perímetro da Abadia de Westminster durante o funeral da rainha-mãe, em 2002 © Getty Images

Por mais detalhado que seja o plano, a atual situação pandémica vem baralhar tudo. Mesmo cumprindo a vontade do próprio de ter uma cerimónia mais recatada, o evento envolveria sempre centenas de pessoas — ou mais, tendo em conta os ajuntamentos espontâneos que certamente aconteceriam em Windsor ou no Palácio de Buckingham. Segundo o The Guardian, a pandemia vai mesmo ter um grande impacto no funeral do Duque de Edimburgo e há neste momento vários membros da Casa Real a ultimar os pormenores para aquilo que será uma operação Forth Bridge “2.0”.

Segundo o que se sabe até agora, o funeral deverá ser transmitido na televisão e realizado na Capela de St George, no Castelo de Windsor (centro nevrálgico de todos os preparativos fúnebres, mas também o local onde Harry e Meghan casaram, em maio de 2018). Numa situação normal, milhares de pessoas ter-se-iam reunido em Londres e em Windsor para o cortejo militar que acompanharia o corpo do príncipe, além de centenas de membros das forças armadas convocados para forrar as ruas em homenagem ao duque, juntamente com milhares de polícias, que estariam a controlar as multidões. Nada disso irá acontecer.

Atualmente, as regras em vigor sobre a realização de funerais em Inglaterra ditam que apenas 30 pessoas podem comparecer na cerimónia e que, mesmo assim, todas devem manter o distanciamento social caso não vivam juntas. É, por isso, provável que a rainha terá de decidir quais membros da família que serão convidados para a cerimónia. Ainda, tanto Isabel II como os filhos e outros parentes que marquem presença poderão ter de usar máscaras de proteção individual e manter dois metros de distância uns dos outros.

Round Tower opens to public

Imagem do Mausoléu Real, em Windsor, junto ao qual o príncipe Filipe deverá ser sepultado © Getty Images

Continua a ser provável que uma homenagem militar se realize, mas dentro dos limites do castelo de Windsor, sempre com o devido distanciamento e no cumprimento das restantes medidas de segurança. Os líderes mundiais e representantes da Commonwealth, bem como membros de realezas estrangeiras, antigos e atuais políticos e chefes militares estariam sempre na lista de convidados para o funeral. Dada a conjuntura, tal não será possível.

Espera-se que Filipe seja depois sepultado no Royal Burial Ground, um cemitério privado, usado apenas por membros da família real, dentro da propriedade de Frogmore, em Windsor. É nesse mesmo local que jaz Eduardo VII, o monarca que abdicou em 1936. No centro do recinto está o Mausoléu Real, onde estão os caixões da rainha Victoria e do príncipe Alberto.