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Com que traços se desenha um bom ilustrador?

Ter jeito para desenhar é importante; mas não é tudo. Bernardo P. Carvalho revela o que caracteriza um bom ilustrador, e as suas dicas vêm mesmo a tempo do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce.

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Getty Images/iStockphoto

Getty Images/iStockphoto

Desenhar bem já nasceu com eles e antes mesmo de saberem escrever o nome, já os seus rabiscos se destacavam. Ainda assim, muitos dos que crescem com este talento nem sempre o valorizam, acabando por guardar na gaveta os lápis de cor juntamente com o sonho de um dia, quem sabe, enveredarem por uma carreira na ilustração. Mas o que os pode ajudar a desbloquear — não só a criatividade, mas também a coragem — é receber conselhos de quem sabe do assunto. Foi isso mesmo que procurámos fazer com a ajuda de Bernardo Carvalho, ilustrador e elemento do júri da 8.ª edição do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce, que em entrevista partilhou algumas ideias para ajudar a inspirar quem pretende lançar-se na aventura da ilustração. É que entre os dias 13 de maio e 1 de julho decorrem as candidaturas para a fase de ilustração daquele galardão —o maior em Portugal na área infantil —, e à espera do vencedor estão 25 mil euros (valor idêntico para o vencedor do texto), assim como a publicação do trabalho premiado. Ou seja, razões mais do que suficientes para pôr mãos — e imaginação — à obra.

1 julho

As candidaturas à fase de ilustração do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce terminam no dia 1 de julho, data em que se celebra o Dia Mundial das Bibliotecas.

“Jeito e gosto pelo desenho já são um bom princípio”, reconhece Bernardo P. Carvalho, porém, “ilustrar um texto com vontade de o fazer é fundamental”. Isto porque “fazer um livro é como fazer uma outra coisa qualquer e se o fizermos em esforço e sem muita energia, não vai sair grande coisa”, justifica, sublinhando que “é fundamental que os jovens ilustradores reconheçam que um livro lindo não é a mesma coisa que um bom livro; o ideal é ser as duas coisas”. Na verdade, o artista, que conta já com diversos livros infantis premiados no seu currículo, ressalva que “um bom livro ilustrado não é só e necessariamente composto por algumas ilustrações muito bonitas”, mas é antes “constituído por uma sequência de imagens, que no seu conjunto é muito bonita, a qual coabita nas páginas em perfeita harmonia com o texto”.

Infografia: Joana Figueirôa

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Aprimorar o traço. Sim, mas como?

Desenhar muito é a primeira estratégia que Bernardo P. Carvalho sugere a todos os aspirantes a ilustradores para que se aperfeiçoem na arte. “Tenho mesmo a sensação de que quanto mais desenhamos, melhor o fazemos”, afirma, acrescentando que, como consequência, “quando se desenha bem, torna-se mais fácil resolver problemas com que somos confrontados, por exemplo, uma posição esquisita, escalas, pontos de fuga ou profundidade da imagem”.

Para potenciar o processo de melhoria contínua, aconselha a prática da experimentação e dá mesmo exemplos do que pode ser feito: “Ilustrar pequenas histórias, fazer livrinhos para família e amigos, ilustrar textos e músicas de que gostamos mesmo que não nos peçam, experimentar técnicas diferentes, nomeadamente, desenhar com tesoura e xis-ato, para quando chegar a altura de fazermos um livro a sério, estarmos preparados e confortáveis com técnicas que já dominamos”.

Quanto às melhores fontes de inspiração para um ilustrador, assinala a importância de se “estar atento às coisas e pessoas que nos rodeiam, olhar para coisas banais das nossas vidas e reinterpretá-las à nossa maneira”, além de que “arranjar uma musa inspiradora, também dá jeito, tipo a natureza”, brinca.

Não guarde o talento na gaveta. Participe!

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Se gosta de desenhar e os rabiscos são a sua segunda língua, participe no Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce, com um valor total de 50 mil euros, divididos pelos vencedores da fase de texto e ilustração. A seleção das ilustrações vencedoras está a cargo de um júri composto por nomes bem conhecidos da área, como o dos ilustradores André Carrilho, Eduardo Côrte-Real e Marta Madureira, que se juntam ao de Bernardo P. Carvalho, além de Sara Miranda, diretora de comunicação do Grupo Jerónimo Martins.

Linguagem própria e original precisa-se

À semelhança do que acontece em todas as áreas artísticas, também na ilustração há alguns erros que são comuns no início da carreira. Para Bernardo P. Carvalho, “um dos maiores desafios para um ilustrador ou qualquer artista” passa por “desenvolver uma linguagem própria e original”. Quando não se consegue, pode acontecer, por exemplo, que se caia na tentação de seguir o estilo de alguém cujo trabalho se admira. “Gostar e admirar o trabalho de outros é normal e saudável, mas também pode ser agoniante, por gostarmos tanto e ao mesmo tempo sabermos que nunca vamos conseguir fazer uma coisa assim”, afirma, explicando as eventuais consequências de persistir nesse caminho: “Às vezes, tentar copiar o estilo de alguém pode resultar numa coisa que não tem nada que ver, mas que estranhamente é muito gira e não se parece com nada. Ainda assim, se formos bons a copiar, pode mesmo ficar parecido”.

Para melhor encontrar um estilo original e que reflita o mundo interior do desenhador, salienta que “um bom ponto de partida será sempre a experimentação ao nível do desenho e técnicas de ilustração, seja pintura, colagem, digital ou outras, porque é quando experimentamos que as coisas acontecem”.

Como ilustrar para o sucesso?

“Uma boa ideia bem contada entre texto e imagens” a que se junta “uma capa incrível com um título sonante” é a receita de Bernardo P. Carvalho, que é um dos fundadores da editora Planeta Tangerina (especializada na edição de álbuns ilustrados para crianças, mas não só), para que um livro possa cativar as atenções. Ainda assim, considera “realmente difícil” saber o que é que faz com que um livro seja um sucesso, reforçando que “uma ideia original para um livro é fundamental para que, pelo menos, aguce a curiosidade dos leitores”. “Depois, a maneira como o texto e a ilustração se unem para contar a história, bem como o cuidado e a atenção que se teve em cada centímetro quadrado do objeto que é o livro” fazem o resto, especifica.

Tal como na escrita, também na ilustração é importante que haja uma avaliação crítica do trabalho como forma de ajudar o ilustrador a limar arestas. “Primeiro, é importante a autoanálise, reconhecer o que não fizemos tão bem ou que poderíamos fazer melhor ou de outra maneira”, aponta, lembrando que durante o processo há que “ouvir as opiniões dos envolvidos no projeto, tal como o autor e o editor”. “Afinal, fazer um livro é isto, um pequeno grupo de pessoas que faz um objeto, que conta uma história para muitas outras pessoas verem e lerem e a quem queremos agradar, fazer pensar, rir e chorar”, resume o ilustrador de sucessos como “Pê de Pai”, “Coração de Mãe” ou “Lá Fora”, este último vencedor do prémio Opera Prima, atribuído pela Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha em 2015 ou do Laurel Encyclopedia Award of Children’s Books of Popular Science Catalogue 2016, entre outros galardões.

E se a resposta for “não”?

Nem sempre o sucesso surge de imediato. Aliás, o mais normal é que se recebam várias respostas negativas até se conseguir ilustrar o primeiro livro. Segundo Bernardo P. Carvalho, “a confiança no nosso trabalho vem realmente do feedback que temos de outras pessoas, e os novos ilustradores têm de perceber que é um ato de coragem quando um editor resolve avançar com determinado projeto e editar um livro, porque provavelmente o vai escolher de entre outros projetos que poderiam ser também um bom livro”. Como tal, “se o nosso projeto ficou para trás, não quer necessariamente dizer que é um mau projeto, pode apenas não se encaixar em determinada linha de edição de uma editora, por exemplo, ou então quer dizer isso mesmo, que não é suficientemente bom para ser editado e que temos de tirar ilações e para a próxima fazer melhor”, admite.

Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce – uma oportunidade

Já na sua oitava edição, o Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce tem a particularidade de selecionar não apenas autores de textos inéditos para esta faixa etária, mas também ilustradores. As candidaturas à fase de texto já terminaram, pelo que quem pretende concorrer à fase de ilustração pode solicitar à organização do concurso a história vencedora para começar de imediato a ilustrá-la. “Criar uma oportunidade para novos autores e ilustradores poderem expor as suas ideias e trabalho, editar e premiar — e de que maneira — os melhores, parece-me uma iniciativa exemplar e sem paralelo no mercado dos livros ilustrados em Portugal”, remata Bernardo P. Carvalho.

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Prémio Literário Infantil

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