O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, realçou esta terça-feira em Bissau, perante o seu homólogo guineense, Umaro Sissoco Embaló, que os políticos são protagonistas transitórios e incluiu nos objetivos de cooperação “aperfeiçoar o Estado de direito democrático“.

Os políticos são muito importantes, mas o povo é muito mais importante. Só há políticos porque o povo quer, verdadeiramente, e enquanto quiser. E nós temos de ter noção da nossa finitude”, considerou Marcelo Rebelo de Sousa, numa intervenção no Palácio da Presidência, em Bissau, onde se encontra em visita oficial.

Tendo ao seu lado o Presidente da República da Guiné-Bissau, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que muito une os respetivos países, e afirmou: “Vamos trabalhar ainda mais unidos. Vamos trabalhar ainda mais na saúde, que tanto nos preocupa ainda na pandemia, vamos trabalhar ainda mais na educação, com a criação de uma Escola Portuguesa aqui em Bissau”.

“Vamos trabalhar ainda mais na formação, na reforma administrativa, no aperfeiçoamento do Estado de direito democrático, naquilo que é tão importante no quadro da nossa vivência e deve ser cada vez mais no futuro”, acrescentou, referindo depois as infraestruturas, as águas, energias renováveis, o turismo e o mar como domínios de cooperação bilateral.

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Antes destas declarações dos dois presidentes à comunicação social, sem direito a perguntas por parte dos jornalistas, Umaro Sissoco Embaló condecoro a Marcelo Rebelo de Sousa com a medalha Amílcar Cabral, a mais alta condecoração nacional.

Marcelo Rebelo de Sousa na Guiné-Bissau. Marcelo saudado por multidão ao longo de oito quilómetros durante duas horas

Em seguida, na sua intervenção, ao agradecer esta distinção, o chefe de Estado português salientou, uma vez mais, o caráter transitório das funções políticas: “Eu sinto dever agradecer ao povo guineense aquilo que é a condecoração das condecorações, que é uma lealdade, uma fraternidade, que, aliás, é correspondida por Portugal, e que perdura para além de nós”.

“Nós, presidentes, primeiros-ministros, parlamentares, líderes partidários, responsáveis políticos ou militares somos protagonistas temporários de uma história que nos ultrapassa. E temos de estar à altura dessa história feita cada vez mais de futuro, porque é isso que verdadeiramente conta: nós passamos, os povos ficam, aquilo que existe entre eles fica”, reforçou.

Oito quilómetros em duas horas. Marcelo recebido por milhares de pessoas na chegada a Bissau

Visita de Presidente português é mais importante que a de Joe Biden, diz Embaló

O chefe de Estado da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, disse que a visita de um Presidente português é mais importante que a de um europeu ou norte-americano, como Joe Biden.

“A visita de um Presidente português é mais importante que a visita de um Presidente europeu ou americano. Não é a questão de um país que me vem dar mais dinheiro, é amizade, é aproximação. É mais importante que a visita de Joe Biden [Presidente dos Estados Unidos] e digo isto de coração”, afirmou Umaro Sissoco Embalo, na declaração à comunicação social acompanhado pelo seu homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa.

O senhor Presidente viu a expressão do povo”, salientou Umaro Sissoco Embaló, referindo-se à multidão que recebeu segunda-feira Marcelo Rebelo de Sousa, em Bissau. Na declaração, o Presidente guineense salientou que a “visita superou todas as expectativas” e que as relações entre os dois países “ficaram ainda mais próximas”. “Quero reafirmar que o povo guineense e o povo português são unidos e continuaremos a ser unidos”, frisou.

Marcelo lembra passado colonial em que Portugal atuou “muitas vezes mal”

O Presidente português lembrou em Bissau o passado colonial, considerando que Portugal atuou “nem sempre bem, muitas vezes mal”, mas foi ao longo da sua História plataforma entre culturas e civilizações.

Depois de ouvir Umaro Sissoco Embaló considerar que a sua presença na Guiné-Bissau é “mais importante do que a visita de Joe Biden”, porque não está em causa o dinheiro, mas a amizade, o Presidente português concordou.

Marcelo Rebelo de Sousa disse ao seu homólogo que “encontrará certamente outros países com mais dinheiro para investir, com mais poder económico no mundo, com mais ambições geopolíticas no universo”, mas “não encontrará muitos mais países como Portugal, capazes de fazer plataformas entre culturas, civilizações, oceanos e continentes”.

Fê-lo ao longo da sua História, nem sempre bem, muitas vezes mal. O passado colonial é um passado que nós assumimos em plenitude, também naquilo que nele não foi positivo. Mas é isto que explica esta plataforma”, acrescentou.

Segundo o chefe de Estado português, esse é o motivo pelo qual há pela primeira vez “um português secretário-geral das Nações Unidas”, António Guterres, porque conseguiu “a aproximação de pontos de vista de americanos e russos e chineses e franceses e britânicos”. “E vamos ver se duas vezes”, observou.

A Guiné-Bissau foi a primeira colónia portuguesa em África a tornar-se independente. A independência foi proclamada unilateralmente em 24 de setembro de 1973, decorrida uma década de luta armada, reconhecida de imediato pelas Nações Unidas e por Portugal um ano mais tarde, a seguir ao 25 de Abril, em 10 de setembro de 1974.

“A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo e está muito dependente de ajuda internacional”

Marcelo defende presidência lusófona da CEDEAO e espera que Sissoco valorize a CPLP

O Presidente português defendeu é importante haver pela primeira vez uma presidência lusófona da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da qual Guiné-Bissau e Cabo Verde fazem parte.

Perante o seu homólogo guineense, Umaro Sissoco Embaló, que o recebeu no Palácio da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa disse-lhe, por outro lado, que espera que valorize a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que tem agendada para 16 e 17 julho, em Luanda, a sua próxima cimeira.

Após ser condecorado com a medalha Amílcar Cabral, o chefe de Estado português referiu que recebeu a mesma condecoração em Cabo Verde, há uns anos, e salientou “o peso desses dois países no contexto africano, e concretamente da África Ocidental, representando uma das três famílias linguísticas da CEDEAO: ao lado da família inglesa e da família francesa, a família portuguesa”.

E que importante é que seja possível no futuro chegar à presidência da CEDEAO alguém que resulte dessa língua, dessa linha, dessa família, uma vez que as outras famílias têm chegado com frequência a essa presidência”, afirmou..

Marcelo Rebelo de Sousa reúne-se com líder do PAIGC

Marcelo Rebelo de Sousa reúne-se esta terça-feira à tarde, em Bissau, com o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), cuja bancada parlamentar tinha recusado participar num encontro no parlamento guineense.

O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, e a vice-presidente do partido Odete Semedo, já se encontravam na Embaixada de Portugal em Bissau pelas 16h00 locais (mais uma hora em Lisboa), para este encontro com o chefe de Estado português.

Segundo fonte da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa terá ainda encontros separados, também na embaixada, com responsáveis do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) e do Partido de Renovação Social (PRS).

Marcelo deixa mensagem sobre aprofundamento da democracia e direitos humanos

O Presidente português divulgou esta uma mensagem após encontrar-se em Bissau com os líderes dos partidos guineenses PAIGC, Madem-G15 e PRS, afirmando ter “sublinhado a relevância do aprofundamento da democracia” e “respeito pelos direitos humanos”.

Numa nota divulgada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, destaca-se que o chefe de Estado se reuniu com o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, “tendo salientado a importância da relação fraterna e amiga dos dois países e dos dois povos, que vai bem além da conjuntura de cada momento e perdura para além das contingências do dia a dia”.

Segundo a nota da Presidência da República, nessa ocasião Marcelo Rebelo de Sousa também sublinhou “a relevância do aprofundamento da democracia, respeito pelos direitos humanos, liberdades fundamentais e do Estado de direito, no quadro do desenvolvimento social e económico em benefício do bem estar das populações”.

Presidente da República diz ter aproveitado todas as ocasiões para defender melhor democracia

Marcelo Rebelo de Sousa disse ter aproveitado todas as ocasiões durante a sua visita oficial à Guiné-Bissau para defender que os países que falam português devem todos esforçar-se por uma melhor democracia.

Em declarações aos jornalistas, em Bissau, questionado se abordou com o seu homólogo guineense, Umaro Sissoco Embaló, temas como a liberdade de imprensa e direitos humanos, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: “Não só estiveram em cima da mesa como em público eu os referi sistematicamente, no sentido de que queremos mais Estado de direito democrático no mundo da lusofonia”.

Na casa da democracia [a Assembleia Nacional Popular], disso falei desenvolvidamente. Aproveitei todas as ocasiões para tornar claro aquilo que é fundamental, que é aquilo que nos deve aproximar cada vez mais: o esforço em todos os países que falam português de construirmos melhor democracia, com mais direitos, com separação de poderes”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa agradece visita inesquecível à Guiné-Bissau

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, agradeceu a “visita inesquecível” à Guiné-Bissau e disse que vão ser concretizados neste “novo ciclo” muitos dos “objetivos”, “sonhos” e das “aspirações legítimas de cooperação” entre os dois países.

“Inesquecível por vir 31 anos depois da última vinda de um Presidente português, inesquecível pelo calor do povo guineense, inesquecível pelo acolhimento da parte de todas as autoridades, começando pelo senhor Presidente da República, continuando na Assembleia Nacional Popular e culminando no senhor primeiro-ministro, e incluindo também os partidos políticos e vários setores da sociedade civil”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.