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O líder parlamentar interino do Bloco de Esquerda deixou a garantia de que o partido liderado por Catarina Martins vai encarar as próximas negociações do Orçamento do Estado para 2021 de “boa-fé”, mas não se compromete com um voto a favor. Ainda assim, Jorge Costa recusa alimentar qualquer tentativa de dramatização. “Não há razão para a queda do Governo e não há razão nenhuma para uma crise política quando tudo indica que voltaria a verificar-se um cenário parlamentar não muito diferente do atual”, sugere.

Em entrevista à Rádio Observador, pouco depois de Catarina Martins ter arrancado a Convenção com críticas ao PS, Jorge Costa recordou que foi o PS quem “recusou um novo acordo” e optou por um entendimento “ponto a ponto” após as eleições, como tentativa de fabricar “uma maioria absoluta sem a ter”.

Depois de um voto contra o Orçamento do Estado para 2021 e com as negociações para o próximo cada vez mais próximas, o deputado insistiu que o Bloco “não vai abdicar” das principais reivindicações. “Se o PS [nos] quer chamar parceiros vai ter de negociar medidas do programa do Bloco de Esquerda”. E de forma clara e transparente. “Quem negoceia uma vez e se atrasa e uma segunda e não cumpre, começa a ter um problema na capacidade de negociação”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Questionado sobre a posição do PCP, o líder parlamentar interino sugeriu nas entrelinhas que os comunistas deviam ter sido mais exigente. Se esquerda for “firme” nas negociações, notou o bloquista, o PS terá mais dificuldades em impor uma governação à revelia de Bloco e PCP.

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Ainda assim, confrontado com a diferença de estratégias entre BE e PCP, e em como a ausência dos bloquistas pode esvaziar o papel do partido nos equilíbrios à esquerda, Jorge Costa recusou o risco de irrelevância. E voltou a garantir: “Não vamos aceitar que zonas [como sistema financeiro e proteção dos trabalhadores da liberalização das relações laborais] sejam interditas à esquerda, que é o que o PS tem pretendido”.

Jorge Costa criticou ainda o discurso de António Costa, que agora introduziu “afetos” nas negociações, e pediu mais do que palavras ao PS. “Quem não tem maioria absoluta tem de negociar, reconhecer o programa [dos parceiro] e procurar aproximações.”